Roubam seu dinheiro e querem roubar sua aposentadoria. Fora Temer! Fora todos eles!

Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o presidente Michel Temer e o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, participam de reunião com governadores (José Cruz/Agência Brasil)

A nova denúncia contra Temer apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot no Supremo Tribunal Federal (STF) mostra que a crise política está longe de terminar, ao contrário do que o governo quer fazer parecer. São 245 páginas descrevendo como Temer e o “quadrilhão” do PMDB roubaram R$ 587 milhões nos últimos dez anos. Para se ter uma ideia, a primeira denúncia barrada pela Câmara mediante a compra de deputados, tinha 60 páginas.

É mais uma “flecha” contra esse governo, que se desmoraliza cada vez mais. É improvável que esse Congresso Nacional de corruptos aprove a abertura da investigação no STF. Já vimos como funciona: Temer abre os cofres, compra deputados através de cargos e liberação de emendas, e se safa. Ao mesmo tempo em que diz haver um rombo nas contas públicas, gastou pelo menos R$ 2 bilhões para comprar os votos dos deputados da última vez. Mas, apesar disso, é um revés a mais para o governo.

A denúncia de Janot se junta à imagem das malas e caixas abarrotadas de dinheiro de Geddel Vieira Lima apreendidas num apartamento que ele utilizava em Salvador. A cada dia uma nova revelação, ou uma nova imagem causa cada vez mais ódio e indignação à classe trabalhadora e à população, que vê os milhões roubados por essa corja de bandidos enquanto convive com o desemprego em massa, educação e saúde precarizados e os direitos atacados.

Querem meter a mão na sua aposentadoria
Repudiado pela população, Temer se sustenta por falta de alternativa para a burguesia e os banqueiros internacionais. Mesmo com um setor ainda achando melhor era ele cair fora logo. Mas, não tendo ninguém melhor para eles, e com medo de ainda mais instabilidade, ele vai ficando lá. Isso, porém, tem um preço. Temer tem que fazer de tudo para mostrar sua disposição em proteger os lucros dos banqueiros e grandes empresários. E para isso tenta recolocar em pauta a reforma da Previdência.

Temer sabe que o desgaste que sofre dificulta a reforma que ele queria, ou seja, idade mínima de 65 anos e 40 anos de contribuição para aposentadoria integral. Mas como quer mostrar sua fidelidade canina aos banqueiros, vai tentar aprovar pelo menos a idade mínima, o que já é um duro ataque às aposentadorias.

Temer e a sua corja deveriam estar na cadeia fazendo companhia para Cunha, Geddel e companhia. Não vamos aceitar que, depois de roubarem nosso dinheiro, ainda roubem nossas aposentadorias.

Organograma apresentado pela Polícia Federal

LÁ VEM FLECHA
O quadrilhão de Temer e do PMDB

A nova denúncia contra Temer é de organização criminosa e obstrução de Justiça, ou seja, Temer e seus comparsas teriam se unido pelo menos desde 2006 para cometer crimes e ainda tentaram atrapalhar as investigações ao comprar o silêncio de gente que poderia abrir o bico contra eles. Lembra-se daquela frase de Temer na gravação feita por Joesley Batista, “tem que manter isso, viu!”? Pois “isso” seria justamente os pagamentos ao doleiro Lúcio Funaro e ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, para que não delatassem.

A denúncia coloca Temer como o cabeça do “quadrilhão do PMDB”, tendo como cúmplices os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, além de Eduardo Cunha, Rocha Loures, Geddel Vieira Lima e a dupla Joesley Batista e Ricardo Saud. Nomes que rondaram bastante os noticiários nos últimos dias. Loures é o homem flagrado correndo com uma mala abarrotada de dinheiro após negociar propina com a JBS. Geddel, por sua vez, é o dono dos R$ 51 milhões encontrados em malas em Salvador.

Já Joesley e Saud são os delatores da JBS que acabaram de ir em cana por esconder gravações da Justiça e ainda ganharem milhões com a própria delação através de uma manobra no sistema financeiro.

Todo mundo que está nessa nova denúncia, ou já foi preso, como é o caso de Cunha, Loures, Joesley, Saud, Geddel e Henrique Alves, ou está no governo, como o próprio Temer e seus ministros. Que, inclusive, só não estão presos também porque contam com foro privilegiado e a proteção do Congresso Nacional de corruptos.

O “quadrilhão do PMDB” começou no governo Lula, continuou no de Dilma e agora está à frente da presidência. Mostra como, nesse regime dos ricos, os políticos se vendem às grandes empresas e empreiteiras, governam para eles e, em troca de propinas, aprovam lei para que enriqueçam cada vez mais enquanto o povo perde o emprego, os direitos e os serviços públicos mais básicos como saúde e educação.

CORRUPÇÃO, ISENÇÕES E DÍVIDA
É tudo roubo

A Procuradoria Geral da República acusa Temer e a sua quadrilha de terem roubado R$ 587 milhões nos sucessivos casos de corrupção em que se meteram. Mas existem outras formas de roubo além da propina paga por empresas como a Odebrecht e a JBS.

Temer, por exemplo, compra o apoio dos empresários através do Refis, a renegociação das dívidas que as grandes empresas têm com o governo, mas com abatimento que chega a 90% e parcelada em anos. É uma forma de compra de voto, e corrupção.

Isso sem falar nas empresas que devem outros bilhões à Previdência pública, isso num momento em que o governo diz haver um rombo! Juntas, as empresas devem R$ 424 bilhões, sendo que o tal rombo que o governo projeta para esse ano é de R$ 189 bilhões. Só a JBS deve mais de R$ 2 bilhões. Sabemos que esse rombo é mentira, mas é um escárnio o governo falar em “déficit” enquanto se omite a essa dívida.

As isenções fiscais garantidas pelos governos do PT, e mantidas e ampliadas por Temer também são um roubo. Essas propinas servem justamente para que o governo aprove leis que beneficiem essas empresas. É um verdadeiro escândalo os bilhões que as empresas deixam de pagar em impostos. É dinheiro roubado da saúde e educação que vão encher os bolsos dos grandes empresários.

Já o mecanismo do pagamento da dívida pública é um roubo e numa proporção muito maior que a corrupção da Lava Jato. Ou como se poderia classificar uma dívida que leva metade do Orçamento do governo todos os anos, que é juros sobre juros, e que já foi paga várias vezes? Um mecanismo cuja auditoria Dilma e esse Congresso Nacional vetaram? Ou seja, nem auditar, quer dizer, examinar, pode! É também um roubo e corrupção que serve a meia dúzia de grandes banqueiros.

 

 

 

Greve Geral para botar para fora Temer, suas reformas e todos eles!

Já vimos que não podemos confiar nesse Congresso Nacional de corruptos, e nem na Justiça que protege os ricos. Mas o aprofundamento da crise mostra que é possível sim ir à luta, derrotar as reformas e colocar para fora Temer e esse Congresso.

Os metalúrgicos estão dando exemplo ao apostar na unificação das mobilizações nas campanhas salariais, não aceitando a aplicação da reforma trabalhista, e chamando os outros setores à luta contra a reforma da Previdência. Esse é o caminho para recolocar a Greve Geral novamente na ordem do dia para derrubar as reformas e esses bandidos que arrancam nosso couro em favor dos banqueiros e empresários.

Saída
Contra o plano dos ricos para a crise, precisamos de um programa operário, dos trabalhadores e do povo pobre que, além de enfrentar a corrupção, enfrente o desemprego, a carestia, a falta de moradias e a situação de penúria de nossas escolas e hospitais, entre outros problemas. Precisamos de uma saída socialista.

-Expropriação da JBS sem indenização e sob controle dos trabalhadores (também a Odebrecht e as demais empresas). Eles levaram boladas de dinheiro público para se enriquecerem e agora quem sofre são os trabalhadores.

-Redução da jornada de trabalho, sem redução do salário.

-Não pagar a dívida aos banqueiros, fazer auditoria! Usar o dinheiro em um plano de emergencial de obras públicas necessárias que crie empregos.

-Estatização do sistema financeiro sob controle dos trabalhadores.

-Fim das isenções fiscais bilionárias para grandes empresas. Isenção de taxas de luz, água, etc para desempregados.

Governo socialista dos trabalhadores apoiado em conselhos populares
Um programa dos trabalhadores para a crise não vai ser posto em prática por esse Governo e Congresso corruptos. O Brasil precisa de uma revolução. Só um governo socialista dos trabalhadores, apoiado em conselhos populares eleitos nas fábricas, escolas, periferia, etc., pode de fato mudar a vida do povo.

Publicado no Opinião Socialista nº 543