Romper com a cut e construir nova direção

Para qualquer luta é necessário que haja organização. Todo ativista que já participou de uma mobilização, desde um ato ou uma greve, sabe da importância da organização para enfrentar a patronal. Mas existe um enorme problema quando a direção da organização que deveria servir à luta passa para o campo inimigo. Essa organização passa a ser exatamente o oposto: uma arma poderosa dos patrões contra os trabalhadores, que desorganiza e enfraquece cada uma das lutas, para ajudar o domínio da burguesia. É muito difícil qualquer vitória de uma categoria, quando seu sindicato está nas mãos de pelegos.

Essa é a história da CUT, que nasceu como expressão das grandes greves do final dos anos 70 e dos 80, tornando-se a mais forte Central Sindical do país. Depois de 20 anos de democracia burguesa, adaptada aos acordos com a patronal, a CUT deixou de ser o que era, e passou a ser um fator de estabilidade do regime democrático-burguês, bloqueando as lutas mais importantes, completamente dependente das verbas do Estado. Com o governo Lula deu um novo salto para trás, passando a ser uma central chapa branca, um braço do governo no movimento sindical.

Como os funcionários públicos podem organizar uma luta contra o governo através da CUT? A direção da CUT apóia e é parte do governo. É como convidar um representante da Fenaban (a federação dos banqueiros) para ajudar a organizar uma greve de bancários. E isso não é um problema só do funcionalismo. Como ao governo Lula não interessa nenhuma mobilização dos trabalhadores, a CUT chapa branca atua como pelega e fura greves em todo o país.

Começou a ruptura

Felizmente, a ruptura que as massas começaram a fazer com o governo Lula, evidente em qualquer pesquisa, está se estendendo também à CUT. Os trabalhadores dos setores organizados sindicalmente olham cada vez com mais desconfiança para a Central. Vários sindicatos já romperam com a Central. A Federação Democrática dos Metalúrgicos de Minas e sindicatos de outros estados fizeram um chamado para que se discuta a ruptura nas bases em todo o país. Não se trata dos trabalhadores romperem com seus sindicatos e construírem outros, mas de ganhar os sindicatos para que eles rompam com a CUT.

É hora de discutir na base essa ruptura com a CUT e a construção de uma alternativa. Não se constrói o novo sem romper com o velho. Os trabalhadores do país já deram um exemplo de força ao romper com o velho peleguismo e formar a CUT, quando os pelegos se chocaram com o desejo de mudança expresso nas greves daquela época.

Perante a traição do governo Lula e sua Central chapa branca chegou a hora de romper com a CUT.

A Conlutas, agrupando sindicatos que já estão fora da CUT e sindicatos cutistas, começou a se formar este ano. Teve um êxito espetacular em Brasília, com o ato de 20 mil pessoas contra o governo. Neste momento precisa se estruturar e se fortalecer para se construir enquanto nova direção para o movimento sindical do país.
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