Rodoviários de Fortaleza em greve

Sob direção de luta, rodoviários vão à greve por recomposição salarialDesde o dia 7 de junho, Fortaleza vive uma das maiores greves de transporte coletivo, cujos motivos são muito conhecidos por praticamente todo trabalhador rodoviário das grandes cidades: jornada de trabalho desumana, salário superachatado e assédio moral contra os trabalhadores.

Os rodoviários acumularam perdas salariais significativas nesses últimos anos. Há dez anos, recebiam cerca de 4,7 salários mínimos. Hoje, não alcançam dois salários. Além disso, são inúmeras as práticas da patronal para superexplorar os trabalhadores. Uma delas é a chamada prática das duas pegadas, que impõe jornadas diárias de até 12 horas aos trabalhadores que deveriam ter uma jornada diária de 7 horas e 20 minutos. Quem explica como isso funciona é o diretor do SINTRO, Domingos Neto. “O sujeito sai da garagem às 4 horas da manhã, roda no horário de pico até umas 8 horas, passa três horas parado no terminal, daí volta pra garagem pra fazer a segunda pegada com mais três ou 4 horas. Aquelas três horas paradas simplesmente se perdem, não são pagas como hora extra”, afirma.

Os micro-ônibus colocados em circulação impuseram o fim da figura do cobrador com a implantação de catracas especiais. Em Fortaleza, recai sobre o motorista a dupla função. É trabalho e risco dobrado, além do salário achatado. O paraíso para os empresários é o inferno para os trabalhadores que correm o risco de assaltos que via de regra serão descontados do salário do motorista.

Jornadas exaustivas, assédio moral e trânsito caótico compõem a fórmula ideal para uma série de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais. Barbosinha, que também é diretor do SINTRO, explica que com três ou quatro anos de categoria a maioria dos trabalhadores já está com hérnia de disco. “A maioria dos motoristas que faz a cirurgia de hérnia de disco para continuar trabalhando acaba colocando pinos de titânio na coluna”, conta.

Essa humilhação sem fim resultou na vitória da Conlutas nas eleições sindicais há pouco mais de três meses. Agora, o sindicato realiza uma campanha salarial que está demonstrando que de um lado estão os empresários, a Justiça, a imprensa, a prefeitura e o PT, e de outro os trabalhadores, a Conlutas e o PSTU.
“Finalmente eu sinto orgulho, sinto prazer mesmo de ser filiada ao sindicato. Agora vai”, falou uma das trabalhadoras quando foi informada que podia voltar para casa, após uma ação da greve na madrugada de sábado, 19 de junho.

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