Reunião do G-20 retoma rodada de abertura comercial

A reunião de chefes de Estado do G-20 realizada no dia 15 de novembro em Washington foi apresentada como um passo “histórico” na redefinição da economia mundial. Tal discurso foi utilizado principalmente pelo governo Lula, que ocupa a presidência rotativa do grupo das 20 maiores economias do mundo.

Lula chegou a afirmar que a reunião mudou a “lógica das decisões políticas”. Para o governo e a imprensa internacional, a reunião do G-20 selou a entrada dos chamados países emergentes para o primeiro plano das decisões políticas e econômicas. “Já não é mais o G-8, agora o G-20 ganha um papel de destaque”, disse Lula. A declaração final da reunião chega a afirmar que “as economias emergentes e em desenvolvimento, incluindo os países mais pobres, deverão ter mais voz e representação”.

Mais do mesmo
O verdadeiro resultado da reunião do G-20, porém, aponta no sentido contrário de uma “nova ordem mundial”. A resolução da reunião, por exemplo, não avança nada na tão alardeada “regulamentação” dos mercados. Pelo contrário, propõe medidas para “fortalecer os regimes regulatórios”, sendo que hoje não existe nenhum.

Se antes falava-se sobre a necessidade de novos organismos internacionais, os líderes do G-20 propuseram tão somente a reforma do velho Banco Mundial e o FMI. Da mesma forma, apesar do discurso, aposta-se em medidas limitadas ao âmbito dos países. Ou seja, benefícios dos Estados ao mercado financeiro para conter a crise, o que já se mostrou impotente.

Para além das declarações nebulosas dos chefes de Estado, porém, prevê-se uma política de recrudescimento do neoliberalismo, apesar de sua morte já ter sido declarada até mesmo pelos seus antigos defensores.

A reunião deu um impulso para a retomada da Rodada Doha, o ciclo de negociação internacional para a abertura de mercados, iniciada em 2001, mas paralisada em julho deste ano.

O que se negocia então para o próximo período é uma abertura ainda mais agressiva dos mercados. Para dissipar qualquer dúvida de que se estaria indo a uma política “estatizante”, como alguns poderiam pensar visto as ajudas dada aos bancos nos EUA e Europa, a reunião fez questão de colocar em sua declaração final que “admitimos que essas reformas só terão êxito apenas se basearem em um compromisso com os princípios do livre mercado, incluindo o império da lei, respeito a propriedade privada, investimento e o livre comércio”.

A declaração serve ainda como uma prevenção contra qualquer medida que signifique uma verdadeira estatização ou algo que contrarie a política neoliberal. A OMC (Organização Mundial do Comércio), instada pelo G-20, programa uma conferência internacional para o dia 10 de dezembro, a fim de encaminhar a nova rodada de abertura. Na pauta, um pacote de liberalização agrícola e industrial.

Ataques e limites
A fim de superar a crise do capitalismo, o imperialismo aposta na abertura ainda maior dos mercados, como ocorria com a tentativa de impor a Alca. Os países periféricos como o Brasil, desta forma, são incorporados às reuniões de cúpulas, criando uma ilusão de decisões coletivas e um maior protagonismo. Daí a declaração de Lula afirmando que o “o G8 virou um clube de amigos”.

Tal estratégia, porém, tem profundas limitações. O próximo presidente dos EUA, Barack Obama, que enviou representantes para a reunião em Washington, é contrário ao fim dos subsídios do governo aos produtores agrícolas e defende um maior protecionismo à indústria do país. Os países europeus, no entanto, também defendem políticas protecionistas. Ou seja, as disputas entre o imperialismo que paralisou a rodada Doha parece estar longe de ter um fim.

O principal problema para a imposição dessa política, porém, deve vir das ruas. A Alca, assim como o TLC, já foram rechaçados pelo movimento de massas na América Latina. Na Europa, a política neoliberal já está sendo repudiada nas ruas, com mobilizações operárias contra os fechamentos de fábricas e demissões.

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