Resposta à nota da CUT sobre o atentado à Conlutas em São José dos Campos


Depois de quase 15 dias do ocorrido, a CUT se manifestou sobre o atentado à sede da Conlutas, no Vale do Paraíba. A nota inicia desconhecendo o fato, amplamente divulgado pela imprensa, em que uma gangue atacou a tiros uma reunião de trabalhadores da construção civil em São José dos Campos.

Para a CUT, isto seria uma “suposta invasão da área do Sindicato dos Metalúrgicos”. A central critica a Conlutas por afirmar que este ataque seria uma obra da CUT.

Ora, a assembléia tinha como objetivo fundar uma Associação de Ajuda Mútua dos Trabalhadores da Construção Civil, que foram abandonados durante a última greve da Revap, pelo sindicato local filiado à CUT. Nada foi roubado a não ser a ata da assembléia, lista de presença e estatuto de fundação da referida Associação.

Os invasores gritavam, a todo momento, que não haveria fundação de nenhuma associação. A gangue, alguns deles encapuzados, desceu de um ônibus fretado da região do ABC na grande São Paulo. Apenas à CUT, junto com a Petrobras e empreiteiras, interessava a não-realização da assembléia. Por isso, é a principal suspeita.

Aliás, esse método não é novo na CUT. A própria categoria metalúrgica em São José dos Campos já viu seu Sindicato invadido por jagunços em 1997 pela corrente sindical Articulação (majoritária na direção da CUT), para tentar impor sua política de parceria com os patrões. Felizmente, a mobilização da categoria impediu tal retrocesso.

No último sábado, dia 16 de agosto, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, também filiado à CUT, após uma plenária, militantes da Comissão de Fábrica que divergiam da atual diretoria foram espancados dentro do Sindicato. Mais uma expressão do gangsterismo sindical da CUT e uma atitude lamentável que merece o repúdio de todo o movimento sindical.

A afirmação da nota de que a “CUT sempre disputou bases sindicais a partir do convencimento político e ideológico” não corresponde à realidade.

Em São José dos Campos, esta mesma central fundou, junto com a Embraer, um sindicato fantasma completamente à revelia da vontade dos trabalhadores, na tentativa de dividir o Sindicato dos Metalúrgicos, que representa a categoria há 50 anos. Este sindicato chamado de Aeroespacial conseguiu prontamente o registro sindical no Ministério do Trabalho, à época dirigido por Osvaldo Bargas, envolvido nos escândalos do Mensalão, e por Luiz Marinho, ex-presidente da CUT e na época ministro do Trabalho.

Agora, a CUT também tenta dividir os professores universitários, patrocinando a criação de um suposto sindicato nacional dos professores do ensino superior público federal para se contrapor à entidade representativa da categoria, o ANDES (Sindicato Nacional), com 27 anos de existência.

Somem-se a isto as inúmeras denúncias de fraudes nas eleições sindicais patrocinadas pela CUT, como a que acaba de ocorrer nas eleições do Sindicato dos Metalúrgicos de Pindamonhangaba e outras.

O gangsterismo sindical e a tentativa de divisão das entidades combativas praticadas pela CUT estão a serviço de uma política de parceria com as empresas e de submissão total ao governo Lula, para implementação das reformas neoliberais e de ataques aos direitos dos trabalhadores.

Por fim, a nota da CUT não traz nenhum repúdio ao atentado e tampouco exige a apuração e punição dos responsáveis por este crime contra a organização dos trabalhadores. Eles devem ter seus motivos…

A Conlutas insiste que a CUT é a principal suspeita do atentado ocorrido à sua sede em São José dos Campos, atuando de acordo com os interesses da Petrobras e das empreiteiras. Exigimos do Estado uma rigorosa investigação e punição de todos os responsáveis.

São Paulo, 20 de agosto de 2008.
Coordenação Nacional de Lutas