Repressão à greve de camponeses no Peru deixa quatro mortos

A greve nacional de camponeses e indígenas, iniciada em 18 de fevereiro, no Peru está sendo duramente reprimida pelo governo Alan García. Além de muitos presos e feridos, quatro grevistas já morreram nas ações repressivas, atingidos por balas do exército, que vem usando todo o aparato repressivo contra a greve.

No primeiro dia de protesto, foram presas mais de 150 pessoas. O governo se recusa a negociar, mesmo diante do grande peso do movimento grevista. Ao contrário, declarou estado de emergência em oito províncias e ordenou a ação policial contra a greve.

A ação repressiva é parte de uma política de criminalização dos movimentos sociais, que se expressou também nos 11 decretos legislativos que ampliam as penas por bloqueios de estradas e outras formas de mobilização. Mesmo antes dos decretos, mais de setecentos camponeses e indígenas já haviam sido processados judicialmente, inclusive por terrorismo, ao defender suas comunidades contra os efeitos destrutivos das minerações.

O que quer o povo peruano?
A greve nacional convocada pelas organizações camponesas, agrícolas e indígenas tem como principais reivindicações a definição de uma política de proteção da agricultura peruana contra o Tratado de Livre Comércio (TLC), a defesa da vigência da atual Lei de Águas 17.752 e a contrariedade à proposta de Lei de Águas do governo, quitação das dívidas agrárias, um decreto de urgência para suspender as demarcações de terras pelas entidades financeiras e a defesa dos direitos das comunidades indígenas.

Essas reivindicações, em resumo, representam a defesa da soberania do país. Fica nítido que a repressão visa manter os planos do governo de implementar leis que beneficiam as empresas transnacionais, a privatização das águas e a concessão da Amazônia.

A Conlutas está chamando uma campanha de solidariedade aos camponeses e indígenas peruanos contra o violento ataque que estes vêm sofrendo ao seu direito de mobilização. A Confederação Nacional Agrária (CNA), que está à frente desta mobilização e faz parte da Coordenadora de Bases em Luta, é uma das entidades que está convocando o Encontro de Trabalhadores Latino-americanos e Caribenhos.

É fundamental que as mensagens de solidariedade contenham o apoio total à paralisação nacional agrária e suas reivindicações; o rechaço à repressão indiscriminada, exigindo punição aos responsáveis pelas mortes; abertura imediata de diálogo com o movimento; fim do Estado de Emergência e da criminalização das lutas sociais, principalmente as indígenas e camponesas. As mensagens podem ser mandadas para liamarle@yahoo.es com cópia para secretaria@conlutas.org.br