Reforma ministerial: Lula tenta amenizar a crise

PP e PSB asseguram ministérios; Gushiken vai para os bastidoresNo último lance de sua conturbada reforma ministerial, o presidente Lula tentou matar dois coelhos com uma única cajadada: satisfazer a base aliada e colocar mais um petista suspeito de negócios ilícitos nas sombras.

Anunciada nesta quinta, 21 de julho, a troca de ministros foi bastante tímida. O petista Nelson Machado (que já atuou nas administrações de Luiza Erundina, Mário Covas e Geraldo Alckmin) assumiu a Previdência, no lugar do queimadíssimo Romero Jucá, do PMDB, que há muito está cercado de denúncias. Já Márcio Fortes, indicado pelo PP, entrou no lugar de Olívio Dutra no Ministérios das Cidades e o PSB manteve um ministério, o da Ciência e Tecnologia, com a troca de Eduardo Campos por Sérgio Rezende.

Demonstrando satisfação com mais este “mimo” oferecido pelo governo Lula, Severino Cavalcanti aproveitou a oportunidade para sinalizar que fará tudo para retribuir os muitos cargos com os quais seu partido foi presenteado: “Não vejo razão nenhuma para risco [de perda de mandato]. A coisa está situada em determinados setores, e nós vamos punir todos os culpados“. Os quais, evidentemente, na visão do presidente da Câmara, encontram-se todos para muito além das fronteiras do governo.

Gushiken sai de cena
A toda poderosa Secretaria de Comunicação, chefiada até hoje por Luiz Gushiken, passará para o controle de Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência — e não mais para a Casa Civil, como havia sido anunciado dias atrás.

A Secretaria de Dulci também incorporou a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, até então dirigida por Nilmário Miranda. Uma atitude que evidencia o grau de interesse do governo nesta ou qualquer outra área crítica da sociedade brasileira.

Outro “enxugamento” ocorreu na área de coordenação política. Foi criada a Secretaria de Relações Institucionais, que será comandada pelo petista Jaques Wagner e irá abrigar a secretaria de Coordenação Política e o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). A mudança mandou Aldo Rebelo, do PCdoB, de volta para a Câmara dos Deputados.

Gushiken, que está sob os holofotes da opinião pública devido a surpreende lucratividade de sua empresa durante o governo Lula e pela avalanche de suspeitas que pairam sobre suas relações com o mercado publicitário e os fundos de pensão, terá suas funções praticamente esvaziadas.

Além de perder seu status de ministro e deixar de controlar o gordíssimo filão publicitário, Gushiken assumirá um órgão de pouquíssima relevância e poder: o Núcleo de Assuntos Estratégicos, vinculado à assessoria da Presidência.

Defendendo que “o time que está montado agora é um time para ir até o último dia do meu mandato“, Lula fez mais um lance para fortalecer a “Operação Blindagem“ em torno de si próprio e do governo. Um lance cujo sucesso, como o de todos na atual conjuntura, vai depender de muitos fatores sobre os quais o governo está perdendo o controle. Inclusive, e principalmente, o movimento de massas.