Reforma da Previdência dos militares garante privilégio dos banqueiros e generais

Reforma da Previdência dos militares segue a mesma lógica da reforma no setor privado: quem tem menos são os maiores prejudicados

O texto de reforma da Previdência dos militares que será encaminhada ao Congresso Nacional segue a mesma lógica da reforma da Previdência que atinge a maioria dos trabalhadores do país. Ao contrário do que diz Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes e o Ministro da Defesa, Fernando Azevedo, ela aumenta a mamata dos privilegiados e ferra com os trabalhadores. Na reforma dos militares, os de baixo, os suboficiais e praças é que vão pagar o pato para que o governo economize dinheiro para destinar aos banqueiros.

Se o aumento do tempo de serviço e das contribuições seria compensado com um plano de carreira cujo objetivo seria aumentar o soldo da tropa, o resultado é que pela proposta que será apresentada, enquanto os salários das altas patentes dobram, chegando em alguns casos a 130% de aumento, os suboficias e praças teriam o seu soldo reduzido. E os reformados, ao terem que contribuir para a caixa comum dos benefícios, também seriam prejudicados.

Isso sem falar no fato de que o plano de carreira dificulta a ascensão dos praças e sargentos.

Economizar para quem e as custas de quem?
Nem a Previdência dos militares é deficitária e nem a Previdência dos trabalhadores da iniciativa privada. Mas então por que todo esse frenesi para fazer a reforma? É simples. O governo pagou aos banqueiros o ano passado um trilhão de juros da dívida pública. Para que esses parasitas sigam ganhando essa bolada, o orçamento do Estado não dá conta. Por isso, eles querem mudar a Previdência de todos os trabalhadores – do setor público e privado – para que os banqueiros possam receber em dia.

Agora, se querem continuar pagando aos banqueiros, porque não arrancam dinheiro dos verdadeiros privilegiados? A reforma da Previdência dos militares segue a mesma lógica da reforma no setor privado: quem tem menos são os maiores prejudicados. Os trabalhadores terão que contribuir com 40 anos para se aposentar pela média das contribuições aos 65 anos. Ora, são os pobres que começam a trabalhar mais cedo, em geral aos 15 anos. Então, se ele somente pode se aposentar aos 65, terá que trabalhar muito mais tempo. E nunca vai ganhar o salário integral.

Esse é o mesmo critério adotado na proposta de reforma aos militares. Aumentam o tempo de serviço e diminui os salários e as pensões. Mas não toca nos privilégios de quem ganha mais.

Se o governo quer dinheiro, deve buscar com quem tem: banqueiros e grandes empresários que não pagam um centavo sobre os seus lucros. Se Guedes diz que necessita de um trilhão ou o país vai quebrar, fazemos um desafio a ele e a Bolsonaro: cobre imposto sobre os lucros dos bancos, pois quando era presidente, FHC retirou o imposto sobre lucros e dividendos. Somente o banco Itaú lucrou quase 25 bilhões de reais o ano passado enquanto todo o país está em crise. Cobre as isenções fiscais das grandes empresas que não pagam impostos, se fizer isso vai dar mais de um trilhão de reais.

Unir os de baixo para derrotar essa reforma
Mas eles querem tirar dos de baixo como sempre. Aumentam o salário dos oficiais assim como não tocam nos lucros dos banqueiros. Mas os praças e suboficiais não podem pensar somente nos seus salários, a maioria dos trabalhadores tem algum membro na família que ganha o benefício por idade. Pela proposta do governo, em vez de um salário mínimo eles e elas passariam a ganhar R$400. Isso é enviar os nossos idosos para a morte.

Temos que unir os de baixo para impedir que essas reformas sejam aprovadas. Se ficarmos cada um no seu quadrado todos nós perderemos. Temos que unir todos os de baixo, todos os que tem seus direitos retirados em uma única luta para que estas reformas – tanto a militar quanto a que afeta os trabalhadores do setor privado e público – não sejam aprovadas. Não podemos achar de que se a minha parte não for tocada está bem, porque todos temos famílias, filhos que serão prejudicados.

João Ricardo Soares, da Direção Nacional do PSTU