Rebelião de base mantém greve bancária

Faixa na assembléia de São Paulo

Uma verdadeira rebelião de base impôs a continuidade da paralisação nos bancos públicos, derrotando o forte esquema montado pelas direções dos sindicatos de bancários ligados a Contraf/CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) para pôr fim à greve nacional da categoria. Em 21 capitais, as assembléias dos bancários da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil rechaçaram as propostas dos bancos.

Já nos bancos privados, as direções sindicais conseguiram impor a vontade dos banqueiros e acabaram com a greve. O resultado demonstra que a categoria está dividida com relação à proposta. Vinte e quatro sindicatos rejeitaram o acordo com os banqueiros, sendo que 15 são de capitais importantes do país.

A razão para essa divisão é o reajuste ridículo de 3,5% acordado entre os banqueiros e a Contraf/CUT. Significa apenas 0,63% de aumento real para os trabalhadores de um dos setores mais rentáveis do país, cujo crescimento previsto para este ano é de mais de 40%.

A política do Comando Nacional da Contraf ao longo dessa campanha salarial surpreendeu pelas cenas de peleguismo e falta de democracia. Para se contrapor a isso, o Movimento Nacional de Oposição Bancária impulsionou em todo o país a eleição de comandos de base, para organizar a luta da categoria e romper a barreira imposta pela Contraf/CUT.

Mesmo com o forte aparato montado pelos sindicatos para pôr fim à paralisação, a greve continua em várias regiões. Bancários de bancos públicos e privados permanecem em greve em Belo Horizonte, Brasília, Bahia, Pernambuco, Amapá, Campo Grande, Espírito Santo, Florianópolis, Maranhão, Pará, Paraíba, Piauí, Roraima e Sergipe. Em São Paulo, Rio de Janeiro, Alagoas e Rio Grande do Norte a greve segue com força nos bancos públicos.

Governo tem que atender as reivindicações do BB e da CEF
Entre os bancários do Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal de todo o país, o clima é de indignação contra o sindicato e a proposta do governo. Além do reajuste e PLR (Participação nos Lucros e Resultados) insuficientes e desproporcionais frente aos altos lucros dos bancos, o governo ainda quer que os trabalhadores compensem os dias parados até o último dia do ano.

Agora é hora de pressionar o governo para alterar as propostas do BB e da CEF! É necessário manter e ampliar a greve no BB e na CEF para arrancar propostas dignas dos bancários.

Para isto, a Oposição Bancária, junto com o Comando Nacional de Base, também está tomando iniciativas de buscar apoios diversos e abrir canais diretos com o governo federal.