Quem não conhece o inimigo perderá todas as batalhas

Estamos vivendo a preparação do dia 23 de maio que pode unificar distintas lutas da cidade e do campo contra a reforma da Previdência do governo Lula, assim como reforçar cada uma das lutas específicas dos distintos setores.

O governo Lula está tomando medidas “descaradas” contra os trabalhadores. Acaba de lançar o projeto contra as greves do funcionalismo, assumindo que todos os serviços públicos são “essenciais”, um argumento que nem os governos passados defendiam. A direção do Banco do Brasil está impondo um plano de demissões, terceirizações e fechamento de setores chaves do banco. As prefeituras do PT demitem ativistas, como aconteceu na prefeitura de Recife, que exonerou uma professora da Conlutas.

Agora, vem à luz o projeto do governo Lula para a reforma da Previdência, que defende a idade mínima para a aposentadoria de 67 anos, ou seja, o governo quer negar o direito de aposentadoria para boa parte dos trabalhadores que morrem antes ou permiti-la por poucos anos.

A oposição de direita aplica exatamente a mesma política de Lula, com reformas contra os trabalhadores e repressão às suas lutas, como faz Serra em São Paulo.

Enquanto isso, todos podem ver os altíssimos lucros das grandes empresas. No primeiro trimestre deste ano, a Vale do Rio Doce teve o maior lucro da América Latina, de R$ 5 bilhões. Em apenas três meses, a companhia lucrou bem mais que o preço pago por ela em sua privatização fraudulenta (R$ 3,4 bilhões). Neste mesmo trimestre, Itaú e Bradesco, os maiores bancos nacionais, acabam de bater mais um recorde histórico em seus lucros.

Esta é a essência do governo Lula: a favor dos banqueiros e das grandes empresas, mas com a cara da maior liderança operária da história do país. Esse é o maior poder do governo, sua capacidade de enganar os trabalhadores, fazendo-os aceitar (afinal é Lula quem está defendendo) medidas duríssimas de ataques a seus direitos.

Isso começa a mudar com a mobilização para o dia 23. Começa uma luta nacional conjunta contra as reformas que o governo quer impor aos trabalhadores, em particular a da Previdência. A governista CUT, entretanto, quer tentar transformar a data em apoio a Lula.

O stalinismo no passado fazia essas manobras, escondendo a verdade ou simplesmente fazendo-a desaparecer quando não lhe interessava. A CUT de hoje, porém, não tem a força do stalinismo do passado. Não pode esconder o sol com uma peneira. Quem está preparando a reforma da Previdência não são apenas a Fiesp ou o PSDB: é o governo Lula.

Sun Tzu, um filósofo chinês reconhecido na arte da guerra, dizia que quem não conhece o inimigo perderá todas as batalhas. É preciso que o dia 23 seja um passo claro também no enfrentamento com o governo Lula. Os trabalhadores precisam superar o engano deste governo e os enganadores a seu serviço.
Post author Editorial do Opinião Socialista nº 298
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