Qual a saída operária frente à crise e aos ataques?

A classe operária e os povos da Europa precisam responder a crise com um programa, uma saída concreta, que aponte para as lutas e para sua organização.
Diante dos planos de fome, miséria e de resgate dos capitalistas e banqueiros, é preciso propor um plano de resgate dos trabalhadores e do povo. Um plano que sirva como resposta político-programático e ideológica em todo o continente, mas que, em cada país, tomará as formas mais adequadas e específicas.

Este plano de resgate deve partir do não pagamento da dívida interna e externa aos bandidos da Troika; a redução da jornada de trabalho, sem redução do salário; o investimento em serviços públicos para defender a educação e a saúde pública; rejeição às privatizações; e um plano de obras públicas e sociais. Mas, para garantir essas e outras medidas, será inevitável a expropriação e a nacionalização, sob o controle dos trabalhadores, de todo o sistema financeiro; o controle dos capitais e o monopólio do comércio exterior; bem como a saída da Zona do Euro e a ruptura com a União Europeia do capital.
Lutemos por um governo dos trabalhadores e do povo que aplique essas medidas na perspectiva de uma Europa para os trabalhadores. Ou seja, dos Estados Unidos Socialistas da Europa.

Este é um problema crucial. Sustentamos que é indispensável impulsionar e unificar as lutas de todos os setores contra os ataques da Troika e seus governos fantoches. Devemos nos unir contra os planos de miséria e fome dos banqueiros e capitalistas.

É muito importante manter e acelerar a dinâmica aberta pelas mobilizações em massa do 15-O. É urgente transformar a indignação em ação organizada em respostas políticas contundentes que possam derrotar a Troika e seus agentes em cada país da Europa, unindo as lutas dos setores sindicalizados com as lutas da juventude indignada. Nesse sentido, é necessário seguir o exemplo de unidade entre estudantes e sindicalistas do movimento Ocupy Wall Street [Ocupe Wall Street]. É fundamental coordenar ações e greves entre operários, desempregados, estudantes e imigrantes, pois todos esses setores sofrem as consequências dos planos de miséria e enfrentam os mesmos inimigos políticos. Estas lutas, em cada país, devem apontar a greves gerais até derrotar os planos de ajuste. A política unitária a nível nacional deve estar a serviço de conseguir que as lutas confluam em um dia de greve europeia em defesa dos direitos, dos salários e das aposentadorias. É imperioso fazer este chamado, de tal maneira que as lutas que se dão em diferentes países se fortaleçam para dar um golpe contundente contra a Troika-Merkel-Sarkozy-Obama.

No entanto, para avançar nas lutas nacionais e para concretizar uma jornada europeia de greve contra os planos da Troika, deveremos enfrentar as burocracias sindicais e políticas que, mais abertamente ou não, se colocam ao lado da Europa do Capital, apoiam os governos e os planos de ajuste, tornando-se obstáculos para as lutas dos trabalhadores. Neste sentido, devemos fazer exigências claras às direções sindicais, partidos reformistas e à direção do movimento dos Indignados no sentido de impulsionar lutas unitárias. Se a pressão obrigá-los a recuar, a luta será bastante fortalecida. Se, por outro lado, se recusarem a aceitar nossas reivindicações, serão desmascarados pelos trabalhadores.

Ao mesmo tempo em que denunciamos a política e as concepções de setores como “Democracia Real Já”, que apontam uma perspectiva por dentro do sistema, se opondo a qualquer tipo de organização sindical e política da juventude e dos trabalhadores, devemos exigir deste setor sua participação para impulsionar as lutas. Devemos apresentar (e explicar pacientemente), chamando os trabalhadores, a juventude e o povo a lutar por uma saída operária à crise, algo que exige propor a questão do poder para a classe operária.

Será desse modo que iremos construindo, sob o calor das lutas e o combate programático, a direção revolucionária da classe trabalhadora.

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