PT, CUT e UNE farão atos públicos em defesa do governo do mensalão

Durante uma reunião realizada no dia 25 de abril na sede nacional da CUT em São Paulo, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, acertou com as lideranças da central e da UNE a realização de um ato público em defesa do governo Lula. A reunião foi chamada pela direção do PT e do PCdoB para articular com os movimentos sociais em que esses partidos têm influência uma mobilização a favor de Lula.

Além das organizações que compõem a CMS (Coordenação de Movimentos Sociais), como CUT, UNE, MST e Marcha Mundial das Mulheres, também participaram da reunião o presidente nacional do PCdoB, Renato Rebelo e um representante da direção do PSB. O ato público em defesa do governo foi marcado para meados de junho.

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O pretexto que a direção do PT e as organizações atreladas ao governo utilizam para ir às ruas defender Lula é a suposta campanha que estaria sendo promovida pela direita em favor do impeachment. Citando frases esparsas de setores marginais da burguesia brasileira sobre o impeachment, as direções do PT, da UNE e da CUT pretendem pôr em marcha uma verdadeira tropa de choque em defesa do governo corrupto de Lula. Em ano eleitoral, o que se esconde atrás dessa iniciativa é a campanha descarada pela reeleição do governo petista.

Ao defender Lula, os representantes do governo nos movimentos sociais citam o que seriam avanços da gestão petista, como a paralisia das negociações sobre a Alca. Estranhamente, “esquecem-se” da política recomendada pelo FMI ao país, e que o governo segue fielmente, o que garante, entre outras coisas, um superávit recorde para o pagamento da dívida pública e lucros também recordes aos banqueiros.

Para justificar esse movimento pró-Lula, a CUT e a UNE retomam a surrada tese da “conspiração” da direita e da imprensa contra o governo. Tal argumento também foi utilizado em agosto do ano passado, quando essas entidades realizaram o malfadado ato público em Brasília, defendendo o governo no auge da crise do mensalão. Na ocasião, a UNE liderou um ato em defesa de Lula que culminou num verdadeiro fiasco, enquanto que no dia seguinte a Conlutas liderou uma manifestação que reuniu 12 mil pessoas contra a corrupção do governo Lula e suas reformas neoliberais.

Contrariando a tese da conspiração da direita, o presidenciável tucano Geraldo Alckmin já afirmou que não apóia o pedido de impeachment de Lula. O governador de Minas Gerais e uma das principais lideranças do PSDB, Aécio Neves, confirmou a posição de seu partido de não levantar tal hipótese adiante, jogando a possibilidade de retomar o governo nas próximas eleições. Apenas o PPS, ex-base aliada do governo, encampa hoje a idéia do impeachment.

Na verdade, o governo Lula só não caiu diante de toda a crise de corrupção exposta no último ano devido à blindagem promovida pelos partidos de direita. Isso ocorre não só porque partidos como PFL e PSDB estão totalmente comprometidos com o esquema do mensalão, mas porque para eles não interessa a ruptura da institucionalidade, o que poderia arriscar a política econômica neoliberal implementada por Lula e na qual a direita se beneficia.

Tal situação apenas reforça a necessidade das entidades classistas e de luta romperem de vez com a CUT e a UNE, lançando esforços na construção de uma nova alternativa. Comprova também que essa não é uma questão secundária, já que essas entidades não apenas se recusam a lutar pelas reivindicações da juventude e dos trabalhadores, como também estão se mobilizando na linha de frente em defesa do governo corrupto e neoliberal de Lula e do PT.