PSTU do Rio Grande do Sul responsabiliza governador pela morte de sindicalista

Sapateiro foi morto por policiais no dia 30, durante um protesto em sua cidade. Dias depois, policiais feriram até crianças em Porto Alegre, após partida de futebolRepudiamos a violência do Governo Rigotto

No Brasil e no Rio Grande do Sul, os que lutam por uma vida melhor sofrem cotidianamente com a violência policial contra suas manifestações. Espancamento e assassinato de lideranças e trabalhadores fazem parte do cotidiano desta democracia dos ricos. A impunidade garante que os assassinos continuem nos atacando. Ainda está presente em nossas mentes o assassinato da Irmã Dorothy Stang, o descaso do governo para proteger a sua vida e, depois, a impunidade com os envolvidos.

Agora, no Rio Grande do Sul, mataram Jair Antônio da Costa, um jovem operário da indústria de calçados e sindicalista, pelo simples fato de participar de uma manifestação contra o desemprego. Dois dias depois espancaram dezenas de torcedores que estavam em seu momento de lazer no estádio Beira-Rio.

Responsabilizamos o Governo Rigotto e o Secretário de Segurança José Otávio Germano, do PP, mesmo partido de Severino e Maluf, pelo assassinato do operário da indústria de calçados, e as cenas lamentáveis de violência por parte da brigada militar no estádio Beira Rio e que deixaram mais de 50 pessoas feridas, incluindo várias crianças.

Repudiamos os que, diante da repercussão dos fatos, querem fazer crer que o assassinato do sindicalista e a pancadaria no Beira Rio são problemas de algum policial descontrolado. A atitude agressiva dos policiais reproduz a orientação dos comandantes que, por sua vez, reproduzem a orientação dada pela Secretaria de Segurança de tratar os movimentos sociais como caso de polícia.

O assassinato do sapateiro sindicalista e os mais de 50 feridos no Beira Rio são mais uma demonstração de que a polícia está a serviço dos ricos e trata os trabalhadores como marginais e bandidos.

Os grandes empresários que sonegam impostos e desfalcam os cofres públicos são tratados com toda a complacência, sem qualquer prisão ou confisco dos bens. Os latifundiários exibem suas armas para atacar o MST e nada é feito contra eles. Os políticos roubam os cofres públicos e com isso matam de fome milhares de pessoas e não tem punição. A proteção é feita para os ricos e suas propriedades, mas aos pobres é desemprego e violência.

Nos somamos aos que exigem o afastamento dos comandantes das duas operações com desfecho catastrófico, a demissão do secretário José Otávio Germano, e a punição dos diretamente envolvidos. Chamamos aos policiais, trabalhadores da segurança pública, para que não reprimam as manifestações populares. Nós somos vossos aliados contra os baixos salários e as péssimas condições de trabalho que o governo os submete.

Para impedir novos assassinatos e cenas de pancadaria é preciso garantir democracia dentro da corporação com o direito a sindicalização, o direito à greve e a eleição dos superiores pelo conjunto dos trabalhadores da segurança e não por indicação política do governador. Além disso, é preciso que a população controle as ações da polícia. Defendemos a formação de conselhos populares de segurança por bairro. Que estes conselhos tenham o poder de determinar as medidas de segurança necessárias para proteger a população bem como fiscalizar os que devem garantir a segurança. A segurança dos trabalhadores deve ser garantida pelos próprios trabalhadores e não por pessoas estranhas ao ambiente em que estão os que mais sofrem com a falta de segurança.

Estivemos e estaremos nas ruas lutando por emprego, salário e terra. Estamos nas ruas exigindo o Fora Todos!. Estamos nas greves que exigem reajuste salarial. Estamos nas lutas contra as reformas neoliberais e o plano econômico de Lula e do FMI aplicado aqui no Estado pelo governo Rigotto. Nestas lutas não aceitaremos a agressão física da polícia. Não aceitamos a visão de que os movimentos que lutam por uma vida melhor tenham que ser tratados com violência. A morte do companheiro Jair Antônio da Costa, no município de Sapiranga, no dia 30 de setembro, nos exige mais força para continuar lutando por um Brasil Socialista.
Companheiro Jair! Presente!!!!!

PARTIDO SOCIALISTA DOS TRABALHADORES – RIO GRANDE DO SUL
portoalegre@pstu.org.br