Privilégios aos grandes partidos e a falta de democracia nas eleições

Sempre dissemos que as eleições são um jogo de cartas marcadas. A legislação eleitoral beneficia apenas os grandes partidos, cujas campanhas eleitoras são financiadas pelos empresários e banqueiros.

A campanha de Dilma (PT) disse que pretende arrecadar R$ 157 milhões, enquanto Serra disse que pretende gastar R$ 180 milhões. Um levantamento da ONG Transparência Internacional mostrou que PSDB e PT receberam quase metade do total de doações privadas oriundas das maiores empresas do Brasil nas eleições de 2006 e 2008. No entanto, nessas eleições os gastos terão um salto de 60%. De onde vem todo esse dinheiro que paga os milionários salários dos marqueteiros? Vêm dos grandes empresários, banqueiros e fazendeiros. Após a eleição, esses senhores cobram a fatura dos candidatos. Não por acaso, os maiores financiadores de campanhas são justamente aqueles que têm interesse em licitações de serviços públicos.

E a corrida para obter financiamento já começou. A campanha Dilma já mandou carta para 385 empresas para arrecadar as contribuições.

Como se não bastasse, os grandes partidos são beneficiados pela legislação, que determina o tempo de cada partido na TV pelo número de deputados eleitos nas últimas eleições. Esse mecanismo beneficia apenas os tradicionais partidos que tem todo o tempo do mundo para se manter no poder. Para aumentar o tempo vale tudo, até a coligação entre o PT de Lula com o PMDB de José Sarney e Renan Calheiros.

Os debates promovidos por emissoras de TV, que poderiam ser um contraponto a isso, repetem, porém, o mesmo mecanismo e explicitam o favorecimento aos grandes partidos. Com base na atual legislação eleitoral, as grandes emissoras de TV só garantem espaço para os partidos que tenham representação parlamentar. Os demais ficam restritos a uma pequena divulgação da agenda dos seus candidatos na TV. Infelizmente, neste dia 5, isso vai se repetir com o debate promovido pela rede Band. Nossa presença nesse debate mostraria a falsa polarização entres a candidatura governista e da oposição de direita. Mostraríamos que, na realidade eles brigam pelo controle do aparato de Estado e por suas verbas, além de possuírem o mesmo programa e o mesmo plano econômico para o país.

Nem Dilma, nem Serra ou Marina querem resolver os graves problemas sociais do país. Por outro lado, esses problemas não serão resolvidos através das eleições, ao contrário do que dizem os partidos eleitorais de sempre. Contudo, podemos utilizar as eleições para fazer avançar as lutas diretas dos trabalhadores.

Nossa campanha vai lutar contra o bloqueio da mídia, acionando a Justiça ou fazendo campanhas pela Internet. Vamos utilizar todo nosso pequeno espaço na TV para apoiar as lutas que estejam ocorrendo utilizando. Vamos, por fim, apresentar uma nova alternativa, dos trabalhadores, ao processo viciado das eleições.