Privatização e desnacionalização

Em 1994, o governo FHC fez uma rees­truturação do Sistema Financeiro Brasileiro. O objetivo era privatizar os bancos estatais, fortalecendo o setor privado nacional e estrangeiro. O sistema estava em crise e sobrevivia lucrando com a hiperinflação.
A privatização foi marcada por maracutaias, como o caso do Banespa, vendido por preço rebaixado (segundo o DIEESE, o preço foi 105% menor que o banco valia).

O governo arrecadou US$ 6,4 bilhões com a venda dos bancos estatais. Para comparação, em 2010, o lucro líquido do Itaú foi US$ 7,6 bilhões, superior a tudo que se arrecadou na venda dos bancos estatais.

O programa de FHC também comprou bancos falidos por “investidores privados”, totalmente financiados pelo governo. O HSBC, por exemplo, comprou o Bamerindus por meio de uma transferência do governo de R$ 11 bilhões. Além disso, o banco foi isentado de todas as dívidas trabalhistas. Já o Excel Econômico foi transferido em 1998 para o banco espanhol Bilbao Viscaya, pelo valor simbólico de R$ 1,00, sendo o restante lançado como prejuízo.

O gasto total do governo com o Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional), foi de cerca de R$ 20 bilhões, em uma operação de transferência de cinco grandes bancos privados falidos para a “iniciativa” privada.
Já com o Proes (Programa de Desestatização dos Bancos Públicos), o governo teve um custo estimado em R$ 60 bilhões, extinguiu 10 bancos estaduais, privatizou 14 outros e “saneou” mais cinco bancos.

O capital estrangeiro controla diretamente 62 bancos (comerciais e múltiplos) aqui no Brasil e tem participação minoritária em mais 30 bancos nacionais. Essa participação vai até 10%, em 9 bancos, de 10% a 20%, em 18 bancos e participação em 3 bancos com 20% a 40%, segundo informações do Banco Central (gráfico).

Desta forma, o capital estrangeiro tem um peso determinante no sistema financeiro nacional, inclusive detém cerca de 25% das ações do Banco do Brasil (BB), além dos 5% em mãos de investidores brasileiros. Em setembro de 2009, 30% do BB foi privatizado, por meio de venda de ações, por determinação do governo Lula. Alguns dos maiores donos de ações do BB são os fundos de investimento norte-americanos Blackrock e Emerging Markets.

Pelo balanço do Itaú de 2010, o capital estrangeiro também está de posse da maior parte dos 53% do capital total do Itaú-Unibanco à venda nas Bolsas. Com o Bradesco não é diferente: em 2010, o capital internacional tem 22,9% das ações ordinárias e 20,6% das ações preferenciais.

O setor bancário brasileiro ainda tem maioria de capitais nacionais, porém com avanço importante dos bancos estrangeiros que já dominam parte substancial do mercado financeiro brasileiro.
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