Prisão de Emicida: um atentado aos negros e à liberdade de expressão

A detenção e o indiciamento do rapper Emicida por “desacato” à autoridade em um show que realizava em Belo Horizonte, no dia 13 de maio, é parte do processo de criminalização dos movimentos sociais e da juventude negra. É assim que o Estado burguês e racista enquadra o Hip Hop, como um movimento de ameaça à ordem estabelecida, sobretudo por que o Hip Hop se notabilizou como “a voz dos favelados”.

A questão fundamental foi a ousadia de Emicida em defender publicamente as “ocupações” e os movimentos de luta por moradia, como a desocupação dos moradores de Pinheirinho. Antes de cantar a música “Dedo na Ferida”, escrita após a desocupação, Emicida prestou solidariedade aos moradores da ocupação Eliana Silva, em Minas Gerais, que também foram brutalmente despejados pela PM. “Antes de mais nada, somos todos Eliana Silva, certo? Levanta o seu dedo do meio para a polícia que desocupa as famílias mais humildes, levanta o seu dedo do meio para os políticos que não respeitam a população e vem com ‘nóiz’ nessa aqui”, disse.

Ao final do show, Emicida foi detido, encaminhado a uma delegacia e logo depois liberado. Para justificar a prisão a polícia colocou no boletim de ocorrência frases que o cantor não disse, o que é comprovado por uma gravação do show.

A prisão representa, antes de tudo, brutal atentado contra o povo negro e o direito da livre expressão e, em particular, ao Hip Hop. Também mostra que vivemos em uma ditadura disfarçada de democracia. Onde quem tem voz são os ricos e empresários, enquanto o povo trabalhador não tem acesso aos mais básicos meios de vida e ainda é impedido de se expressar.

Na verdade, o Brasil está vivendo uma guerra nada silenciosa entre a especulação imobiliária e aqueles que lutam por moradia. Para a realização dos megaeventos (Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016) mais de 200 mil famílias estão ameaçadas de serem despejadas. Emicida meteu o dedo em uma “ferida” de gente grande.

Toninho Ferreira, advogado do Pinheirinho, lembra que o artista defendeu a resistência dos moradores e expressou solidariedade e apoio a Emicida. “O PSTU se solidariza com o Emicida, se coloca na mesma trincheira em defesa dos sem tetos.

Enquanto a corrupção corre solta e ninguém é preso, enquanto tem muita terra servindo para especulação imobiliária e muita gente sem ter onde morar, enquanto bilionários desdenha de pobre colocando a polícia para escorraçar a população, vamos lutar contra as injustiças, com paus, pedras e poesias”, disse o advogado e militante do PSTU.
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