Preços dos alimentos disparam

A inflação dos alimentos voltou. Segundo o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial do consumidor, o índice no ano passado fechou em 5,9%, contra 4,3% em 2009. O que empurrou a inflação para cima foi a alta dos preços dos alimentos – 10% no ano passado, contra 3% em 2009.

Só o preço do feijão subiu 52%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os preços também dispararam em outros alimentos, como é o caso das carnes. O quilo das diversas variedades aumentou, em média, 30%. Os altos preços dos alimentos influenciaram no preço das refeições consumidas fora de casa, que ficaram 11% mais caras.
A inflação dos alimentos também encareceu os produtos da cesta básica. Em São Paulo, a cesta subiu quase 17% em 2010. A inflação prejudicou principalmente os mais pobres. Segundo os dados do INPC, as famílias com renda entre um e seis salários mínimos viram subir os preços em 6,47%, ou seja, 0,56 ponto a mais do que o índice oficial.

Qual é a razão para o aumento?
Dois fatores motivaram essa alta. O primeiro foi a valorização dos preços dos produtos primários voltados para exportação, as chamadas “commodities agrícolas”. O Brasil é um grande exportador de commodities (especialmente de cereais, grãos, carnes e açúcar), responsáveis por grande parte do superávit (lucro) da balança comercial do país. Portanto, qualquer oscilação nos preços dos alimentos no exterior tem influência direta na mesa do trabalhador brasileiro.

O segundo fator é a especulação financeira, que cresce na esteira da valorização das commodities agrícolas. O dinheiro liberado pelo governo dos EUA para salvar o sistema financeiro fez explodir a especulação. Banqueiros e financistas tomaram esses recursos (um total de 2,3 trilhões de dólares) para especular sobre os índices de preços baseados em commodities (o que provocou a elevação dos preços), além de outros ativos financeiros, como ações. Esses dois fatores levaram as commodities agrícolas a subir cerca de 60% na segunda metade do ano passado.

O pior de tudo é que a inflação vai crescer ainda mais em 2011. O governo já estipulou uma meta inflacionária de 6%. Ou seja, o feijão, a carne e outros alimentos devem ficar ainda mais caros, corroendo o poder de compra do salário mínimo de fome proposto por Dilma.

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