Precisamos de uma segunda independência

    Ao contrário da propaganda petista, o Brasil não é um país soberano. As multinacionais controlam a economia e decidem o que fazer do país. Enquanto isso, o governo Dilma entrega o petróleo do pré-sal às petroleiras estrangeiras

    No dia 7 de setembro, os governos vão promover desfiles militares, dizer que são patriotas e que o Brasil é um país soberano. A verdade, porém, é bem diferente. 
    Há quase 200 anos, nosso país conquistou sua independência política formal. No entanto, desde a independência, sempre foi subjugado às grandes potências mundiais. 
    Apesar de toda a bravata dos governos de Lula e Dilma, do ponto de vista econômico, o Brasil continua quase que uma colônia dos interesses estrangeiros. Afinal, como falar em independência se a economia brasileira nunca foi tão dependente?
    Atualmente, mais de 60% das grandes empresas instaladas no Brasil são multinacionais. As multinacionais representam 100% das montadoras; 92% do setor eletroeletrônico; 75% das autopeças; 74% das telecomunicações; 68% do setor farmacêutico; 60% da indústria digital; 57% do setor de bens de Capital; 55% do setor de bens de consumo; 50% na siderurgia e metalurgia; e 47% na petroquímica. No agronegócio, 30 empresas dominam o complexo agroindustrial e mais de 70% destas empresas são multinacionais.
    O dado expõe a desnacionalização que nossa economia sofreu desde os governos de Collor a FHC. A desnacionalização foi provocada por privatização em setores estratégicos da economia e na aquisição de grande parte da indústria nacional pelo capital estrangeiro.  Há muito tempo a burguesia brasileira se rendeu ao capital multinacional e perdeu sua independência. Hoje, ela transita entre sócia menor e gerente dos negócios multinacionais no Brasil.
    Com o PT no governo, a desnacionalização continuou. Em 10 anos de governo petista, foram destinados bilhões de dólares às multinacionais na forma de benefícios fiscais – como a redução de IPI às montadoras – e o fácil acesso ao crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social). E o que as multinacionais fazem com esse dinheiro? Destinam grossas remessas de lucros para suas matrizes no exterior. De 2003 pra cá, o BNDES entregou quase 25 bilhões às montadoras. Nesse mesmo período elas enviaram 26.7 bilhões de lucros ao exterior. Na tabela ao lado é possível perceber a evolução dessas remessas durante os governos de Lula e Dilma. 
    O envio de dinheiro público para financiar os lucros das multinacionais dá exata dimensão do problema: não há uma sombra de soberania em nossa economia. Por isso, todo plano econômico aplicado por FHC, Lula e Dilma obedece as decisões estratégicas dos países imperialistas e do capital financeiro. 
    A dominação da economia pelas multinacionais também tornou o país vulnerável ao avanço da crise mundial que se aproxima. Caso avaliem que não terão os mesmos lucros de antes, as multinacionais deixam de investir e a economia brasileira seguirá para ruína.   
     
    Metade para dívida 
    Como falar em soberania se mais da metade de tudo o que o país arrecada em impostos é entregue aos bancos nacionais e estrangeiros. Como isso é feito? Com o pagamento das dívidas interna e externa. 
    Segundo a Auditoria Cidadã da Dívida, até o dia 4 de agosto, os pagamentos com a dívida pública já consumiram R$ 578 bilhões, o que representa 52% do gasto federal. No ano passado, 47,19% de todo o orçamento nacional foi destinado para pagar os juros e amortizações da dívida.
    Mas o fato é que quanto mais se paga maior é a dívida. Segundo o Banco Central, a dívida externa alcançou a cifra de US$ 441,7 bilhões. Já a dívida interna chegou a R$ 2,823 trilhões. 
     
    A entrega do nosso petróleo
    Em maio, o governo federal realizou a 11ª rodada de licitações de áreas de petróleo e gás. Na 11ª rodada, o governo vendeu 142 dos 289 blocos oferecidos em 23 setores distribuídos em 11 bacias sedimentares. Ao todo, 39 empresas de 12 países participaram, das quais 30 foram vencedoras, sendo 12 nacionais e 18 de origem estrangeira: Austrália (1), Bermudas (1), Canadá (4), Colômbia (2), Espanha (1), Estados Unidos (2), França (1), Guernesei (1), Noruega (1), Portugal (1), Reino Unido (3).
    Foi o sexto leilão de privatização de nosso petróleo realizado pelo governo do PT. Os cinco primeiros foram realizados pelo governo do PSDB. As licitações significam um profundo golpe em nossa soberania e o governo pretende realizar mais. 
    Em outubro, está marcado o leilão da primeira área do pré-sal, o campo de Libra, na Bacia de Santos. O próprio governo diz que o leilão de Libra superará, em valores e ordem de grandeza de potencial de exploração de barris de petróleo, a 11ª rodada. Um verdadeiro saque sobre as riquezas naturais do povo brasileiro sem precedentes. Segundo estimativas recém concluídas, o campo pode ter em reservas entre oito bilhões e 12 bilhões de barris de petróleo. Será a maior reserva já ofertada em um único leilão em todo o mundo. Ou seja, estamos diante de um dos maiores ataques da história de nossa soberania. Um ataque comandado pelo governo do PT. 
     

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