Pra início de conversa

Sempre que escrevemos sobre a juventude, falamos de movimento estudantil, greves, passeatas, eleições, Conlute etc. Mas juventude não é só isso. Nesta edição, o Opinião Socialista inicia uma série que abordará, todo mês, sob a perspectiva do socialismo e da revolução, temas como alienação, religião, drogas, sexualidade, internet e o que mais você estiver afim.

Rebeldes, insubmissos e contestadores, os jovens se enfrentam de maneira consciente ou inconsciente com o sistema capitalista. Um sistema que os cerca por todos os lados, não dando trégua, tentando empurrar todo mundo para a mediocridade e a idiotia, pela massificação da cultura – subordinada às leis do mercado – da padronização de um comportamento reacionário, do culto ao corpo etc.

É isso, e apenas isso, que a burguesia tem a nos oferecer. E, neste espaço, queremos oferecer um contraponto. Aqui não haverá espaço para ideologias de conciliação. Não acreditamos na humanização do capitalismo. Ao contrário, lutamos pela sua destruição.

Nos últimos anos, tentaram até impor a idéia do fim da História, mas a realidade desmentiu os chamados “pós-modernos”. E a juventude também ocupou um local de destaque nisso. Jovens foram protagonistas de muitos processos revolucionários no século XX e início do XXI, desde a Revolução Russa até a Intifada Palestina.

Recentemente assistimos os jovens da periferia francesa, entre eles muitos de descendência árabe, colocarem fogo em tudo que se via pela frente, escancarando para todo o mundo que o imperialismo europeu não tem nada de refinado.
Mais uma vez, demonstramos, pela ação direta, que os nossos sonhos não estão à venda.

Violência e mercantilização
O Estado, sob o véu da justiça e da imparcialidade, está armado até os dentes para reprimir e oprimir tudo que escape do seu controle: ele vigia, patrulha, enquadra, censura e mata para garantir os negócios daqueles que o dirigem.

O mesmo Estado que castra a nossa liberdade dá asas à indústria das drogas. Os mesmos ministros, juízes, senadores e militares que legalizam o lucro dos grandes traficantes internacionais, encarceram os usuários. A juventude e os camponeses plantadores de coca são transformados nos grandes vilões enquanto a burguesia oferece festas de luxo regadas a uísque, cocaína e sexo pago. Temos que lutar para sair desse Estado a que chegamos.

Já falamos muito sobre a mercantilização da educação, suas conseqüências para a produção de conhecimento e tecnologia e a colonização do país. Mas o capitalismo consegue ir muito mais além. Tudo é transformado em mercadoria. Até mesmo o sexo virou um “bem de consumo”, neste caso descartável. Vemos o crescimento assombroso da prostituição, sobretudo a infanto-juvenil, e a multiplicação dos “serviços” prestados pela internet. Existe também a prostituição velada, exercida por meio do “bom negócio” em que transformou a erotização de crianças e a exibição de corpos pré-fabricados em revistas e um número crescente de programas de TV.

Fruto de um mundo cada vez mais decadente, miserável e bárbaro, as igrejas aproveitam-se do desespero do “próximo” e proliferam numa velocidade sinistra. As diferentes religiões cumprem um papel muito bem definido, que é convencer as camadas populares da sociedade de que a sua atual pobreza e estado de penúria serão recompensados nos “Reinos do Céu”. Alicerçadas na fé do povo, as igrejas transformaram-se em verdadeiras empresas com diversas filiais, canais de televisão e rádio, marketing e até show-man, tudo sustentado pelo dízimo dos fiéis. Como dizia Karl Marx: “A religião é o suspiro da criatura oprimida, o sentimento de um mundo sem coração e a alma de situações sem alma. É o ópio do povo”.

Se não bastasse, ainda vivemos sob um verdadeiro massacre cultural. Salvo raras exceções, a produção artística da atualidade tem como marca registrada “produtos” totalmente descartáveis, vazios em conteúdo, medíocres ou conservadores na forma.

Uma página para reflexão e debate
Nos próximos meses, o Opinião irá reservar um espaço mensal para esses e muitos outros temas relacionados ao cotidiano dos jovens brasileiros. Queremos falar de tabus, preconceitos e discriminação, mas também de cultura, lazer e arte. Queremos discutir os meios de comunicação – inclusive a internet – e a relação que os jovens mantêm com eles. Enfim, queremos abrir este espaço para debater as questões que inquietam a juventude, atendendo a uma necessidade que não pode ser resolvida pelo mercado. Afinal, nem tudo está à venda.

E, para isso, contamos com nossos leitores. Se você é um daqueles ou daquelas que treme de indignação diante das muitas mazelas do capitalismo, não fique parado. Estamos abertos a críticas, sugestões de pauta e comentários. Escreva pra gente e vá à luta. Nós nos vemos novamente em março, com um artigo sobre a participação da juventude nas revoluções.

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