Por um 1º de maio classista de luta contra todos os governos e seus agentes!

Sudaneses protestam contra o governo do ditador Omar al-Bashir, que caiu após quase 30 anos no poder

Em defesa de uma revolução socialista!

Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI)

A data de 1º de maio não é um dia de confraternização dos trabalhadores com a burguesia e seus governos. É um dia de luta histórico, parte da memória do movimento operário mundial pela morte de operários em uma greve nos EUA em 1886. É um dia de luta para hoje, porque as condições de vida só pioraram de lá para cá. Existem sinais de barbárie em todas as cidades do mundo.

As burocracias sindicais e os partidos reformistas querem evitar as lutas dos trabalhadores contra a burguesia, e por isso nesse 1º de maio tentam mostrar uma paz social que não existe.

A burguesia em todo o mundo promove uma verdadeira guerra social contra os trabalhadores. Os governos, sejam da direita clássica, ou da “esquerda” aplicam os mesmos planos neoliberais para reduzir os salários, precarizar as relações de trabalho, acabar com aposentadoria e as férias. Os hospitais e escolas públicas são sucateados, para facilitar a privatização da saúde e educação.

É preciso unir os trabalhadores na luta contra os planos neoliberais dos governos, sejam eles chamados de “direita” ou de “esquerda”. É preciso apostar na luta direta dos trabalhadores. Não dá para esperar pelas próximas eleições para votar por um novo governo, que vai aplicar os mesmos planos.

A opressão cresce no mundo todo. Mulheres são cada vez assassinadas e violentadas. A violência policial mata a juventude negra nos bairros pobres. O assassinato e a violência contra LGBTs se amplia cada vez mais. Continua o genocídio dos povos indígenas.

Os trabalhadores imigrantes são tratados com a repressão xenófoba dos governos, que buscam dividir os trabalhadores, culpando-os pelo desemprego crescente. Caravanas de imigrantes tentam entrar nos EUA e são reprimidas. Levas de imigrantes africanos são reprimidos na Europa.

É preciso unir os trabalhadores homens e mulheres, brancos e negros, heterossexuais e LGBTs, nativos e imigrantes. A burguesia quer dividir para nos derrotar. Vamos lutar unidos contra os preconceitos que nos dividem. Vamos nos unir para enfrentar nosso verdadeiro inimigo que é a burguesia e seus governos e não nossos irmãos e irmãs trabalhadoras.

Existe uma criminalização cada vez maior dos movimentos sociais e perseguição contra seus dirigentes, como foi o assassinato de Marielle Franco no Brasil, como é a prisão de Daniel Ruiz e perseguição a Sebastián Romero na Argentina.

Os governos querem impor seus planos neoliberais cada vez mais duros e reprimir os movimentos sociais para impor um retrocesso ainda maior ao nível de vida dos trabalhadores. Querem que paguemos os custos da crise internacional aberta em 2007-09.

Os trabalhadores estão lutando em todo o mundo, com suas greves e manifestações. As mulheres estão protagonizando gigantescas mobilizações contra a violência e pelo direito ao aborto, tanto no 8 de março como em outro momentos. Os negros protagonizam levantes nas periferias das cidades. Só não existem mais lutas por causa das burocracias e partidos reformistas que querem canalizar tudo pela via morta das eleições.

Nesse dia 1º de maio de 2019 vamos afirmar em todo o mundo a disposição dos trabalhadores de lutar contra tudo isso.

Os trabalhadores só podem confiar na sua própria luta
Você quer mudar essa situação?  Não confie em quem propuser esperar as próximas eleições. Confie nas suas lutas diretas, nas greves e manifestações de rua.

Se depender das burocracias sindicais e partidos reformistas a vida seguirá sempre igual. Eles sempre tentam nos convencer a confiar nas eleições e esperar um governo melhor de seu partido nacionalista ou reformista. Existe uma rejeição crescente a esses aparatos. As mobilizações dos jalecos amarelos na França são uma expressão da disposição dos trabalhadores de passarem por cima desses aparatos. A greve dos operários de Matamoros no México, por fora dos sindicatos burocráticos tem um conteúdo semelhante.

Nós rejeitamos os governos imperialistas, a começar pelo ultradireitista Trump, com sua xenofobia, seu apoio irrestrito ao governo sionista de Israel contra os palestinos. Rejeitamos também os governos imperialistas de Macron (França), May (Inglaterra) e Conte (Itália).

Repudiamos os governos da direita como Bolsonaro (Brasil), Macri (Argentina), Duque (Colômbia),  Alvarado (Costa Rica) Juan Orlando Hernández (Honduras), Piñera (Chile), Benitez (Paraguai), Inram Khan (Paquistão) e  muitos outros. São governos inimigos dos trabalhadores tendo já realizados ataques duríssimos aos nossos direitos.

Mas rejeitamos também os governos burgueses “de esquerda” que aplicam os mesmos planos neoliberais do imperialismo. São assim os governos Maduro (Venezuela). Ortega (Nicarágua), Evo Morales (Bolivia), Costa (PS, Portugal), Sánches (Estado espanhol), Ramaphosa (CNA, Africa do Sul). Foi assim também com o governo do PT por 13 anos no Brasil, com os 12 anos dos Kirchner na Argentina. Eles governam o país, são rejeitados pelos trabalhadores pelos planos que aplicam, depois vão para a oposição para aparecer “bonzinhos” de novo para voltar ao governo por novas eleições e fazer o mesmo que já fizeram.

Um exemplo vergonhoso é o governo Maduro na Venezuela, mostrado como “socialista” e apoiado por grande parte dos partidos reformistas em todo o mundo. É na verdade uma ditadura burguesa e corrupta, representante da boliburguesia, a burguesia que cresceu à sombra do aparato de estado chavista por 20 anos. Maduro é repudiado amplamente pelas mesmas massas venezuelanas que derrotaram o golpe do imperialismo contra Chavez em 2002. Não estamos a favor de nenhuma ingerência imperialista na Venezuela, como querem Trump, Bolsonaro, Piñera e Duque e seu representante Guaidó. Mas isso não nos faz esquecer em nenhum momento o Fora Maduro gritado pelas massas venezuelanas com nosso apoio. Queremos que sejam as massas venezuelanas a derrubar Maduro e não o imperialismo.

Existe uma falsa consciência, divulgada pela burguesia, assim como por essas burocracias sindicais e partidos reformistas, que divide o mundo entre “direita” e “esquerda”. Isso é uma mentira.

A divisão real que existe é entre os trabalhadores de um lado e do outro a burguesia e seus governos de “direita” e “esquerda”. É entre o ataque dos governos burgueses de todo o mundo, e a reação dos trabalhadores. Nós estamos ao lado dos trabalhadores e suas lutas em todo o mundo. Nós queremos unir os trabalhadores em suas lutas contra a burguesia, e não compor blocos com a burguesia “de direita” ou “progressista”.

Um chamado aos lutadores de todo o mundo
Nesse 1º de maio de 2019, queremos fazer um duplo chamado. Por um lado, para a mais ampla unidade de ação, na luta direta dos trabalhadores contra todos os ataques dos governos burgueses, sejam de direita ou de “esquerda”.

Junto com isso, queremos reafirmar que um outro mundo só será possível com o fim do capitalismo, com uma revolução socialista.

Por isso, nós lutamos para que surjam novas direções para o movimento de massas, como alternativa a essas direções reformistas, essas burocracias sindicais conciliadoras com a burguesia. Lutamos por novos direções sindicais e coordenadoras de lutas, como a CSP-Conlutas (Brasil) , Sitrasep (Costa Rica), Sindicato Eletricitários (Paraguai), No Austerity (Italia), Cobas  (Estado Espanhol), e outras. Estamos ajudando a construir a Rede Internacional de Solidariedade e Luta, como polo para agrupar o sindicalismo alternativo de todo o mundo. Venha ajudar a construir novas direções combativas das lutas dos trabalhadores para ajudar a que as bases se rebelem contra esses burocratas em todo o mundo.

Lutamos para construir partidos revolucionários em todo o mundo. Venha nos ajudar a construir partidos revolucionários, que mantenham levantada a bandeira da revolução socialista. Chega da rotina eleitoral, do apoio as ditaduras de Maduro e Ortega, do atrelamento dos trabalhadores a setores burgueses “progressistas”.

Dizem que o socialismo está ultrapassado. Não é verdade. Não existe nada mais decadente que o capitalismo que nos ameaça com a barbárie já presente em nossas cidades. O novo, o futuro é a luta pela revolução socialista, para acabar com a miséria de nosso povo. Para acabar contra a opressão sobre as mulheres, negros, LGBTs e imigrantes.

Viva o dia internacional de luta dos trabalhadores!

Todo apoio a todas as lutas dos trabalhadores em todo o mundo!

Pela unidade dos trabalhadores, contra a opressão às mulheres, negros, LGBTs e imigrantes!

Em defesa da revolução socialista!