Plenária organiza luta, mas poupa o governo e a UNE

Apesar de participar da Plenária e de se empenhar nas atividades tiradas, a Conlute seguirá seu próprio calendário de lutas, como o Plebiscito em novembroRealizou-se, dia 12, em Brasília, a Plenária Nacional contra a Reforma Universitária. A Plenária reuniu cerca de 1.200 pessoas e foi uma iniciativa de diversos sindicatos e entidades do setor da Educação, entre elas o ANDES-SN, sindicatos de base da Fasubra, a Coordenação Nacional de Luta dos Estudantes (Conlute), além de Executivas de Cursos, DCEs e CAs.

A plenária cumpriu parte de seu objetivo, que era unificar estudantes, funcionários e docentes contra a reforma. Foram aprovados: uma Carta Política contra a reforma, um Grupo de Trabalho de mobilização, encontros estaduais em outubro e paralisação nacional das universidades, culminando com uma grande marcha a Brasília no dia 25 de novembro.

“Não dá pra esconder, esta reforma é de Lula e do PT”

Desde o início da construção da Plenária, os setores ligados à esquerda do PT e ao P-SOL procuraram evitar que o evento se transformasse em uma luta aberta contra o governo, sua política econômica e as demais reformas, como a Sindical e a Trabalhista. Também tentaram impedir que o movimento estudantil se chocasse contra a UNE, que ajuda o governo a implementar a reforma.

Tudo isso era feito em nome da “unidade da Plenária”, mas o problema de fundo é que a esquerda do PT faz parte do governo Lula, evitando que a luta contra a reforma atinja o governo. O P-SOL, ao querer uma aliança prioritária com esses setores, se cala em nome da “unidade”.

Com relação à UNE, esses dois setores se juntaram para defender a entidade e acusar a Conlute de “divisionista”. A Conlute foi formada em uma Plenária nacional contra a reforma Universitária, realizada em maio deste ano no Rio de Janeiro, com 1.500 estudantes. Ela fez parte da grande mobilização de 16 de junho em Brasília, boicotada pelo P-SOL e pela esquerda da UNE, que parou a Esplanada dos Ministérios contra as reformas do governo, sendo a primeira mobilização nacional contra a reforma Universitária.

Ao invés de se integrarem a uma coordenação democrática de estudantes a serviço da luta contra a reforma, esses setores preferem defender a UNE e atacar a Conlute.

“Contra a reforma, eu quero ver, o Plebiscito nacional acontecer”

Mesmo em relação à luta contra a reforma essa plenária foi limitada. A proposta de um Plebiscito nacional sobre a reforma Universitária foi feita pela Conlute em maio deste ano, como forma de levar a campanha contra a reforma para amplos setores da universidade, a exemplo dos plebiscitos da dívida externa, da Alca e do Provão.

Essa proposta foi rejeitada pela esquerda petista e pelo P-SOL com o argumento de que “não há tempo para um plebiscito ainda este ano”, ou que “podemos talvez fazer no ano que vem”. Como tudo na plenária era aprovado apenas por “consenso”, o plebiscito foi rejeitado, novamente em nome da “unidade”.

“Acreditamos que um plebiscito no ano que vem não serve para nada, pois a reforma já vai ter sido parcialmente aprovada. Nós da Conlute vamos realizar o plebiscito de qualquer maneira no início de novembro, e chamamos a todos os que estão na luta contra a reforma a se engajarem”, afirmou José Erinaldo Júnior, coordenador da Conlute.

Vem aí o II Encontro Nacional da Conlute

Durante toda a plenária, a Conlute colocou a necessidade não só da luta contra a reforma Universitária, mas também contra a política econômica e as demais reformas do governo Lula; denunciou a traição da UNE, que passou para o lado do governo e afirmou que “a UNE não fala em nome dos estudantes”.

Apesar de ter participado da Plenária e do grupo de trabalho que foi aprovado, a Conlute seguirá com sua organização e calendário próprios, incluindo a realização do plebiscito no início de novembro.

Durante a Plenária, foi anunciada também a realização do II Encontro Nacional contra a Reforma Universitária em janeiro de 2005, durante o Fórum Social Mundial. “Em janeiro se abre uma nova etapa na nossa luta. Neste ano vamos lutar para barrar a reforma Universitária. No ano que vem essa luta continua, mas se soma à necessidade de fortalecer a Conlute como uma alternativa de luta para o movimento estudantil”, afirma Thiago Hastenheiter, do DCE da UFRJ.

Calendário aprovado na Plenária:

10 a 15 de Outubro
Encontros Estaduais contra a Reforma Universitária

11 de Novembro
Dia Nacional de Paralisação contra a Reforma Universitária e a Mercantilização da Educação

25 de Novembro
Grande Marcha a Brasília contra a Reforma Universitária

Participe ainda:
Início de Novembro
Plebiscito Nacional sobre a Reforma

Janeiro
II Encontro Nacional da Conlute no Fórum Social Mundial
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