Petroleiros realizam paralisação vitoriosa

Categoria marca greve por tempo indeterminado para o dia 14.O segundo passo da campanha salarial dos petroleiros da Petrobras ocorreu unificado pela base, imposto pelos trabalhadores na porta das refinarias, dos terminais e dos prédios.

A empresa apresentou uma proposta ridícula de abono de 80% do salário e um aumento na remuneração variável de 2%. Isso em meio a um processo de capitalização que está rendendo muito dinheiro. A capitalização será a maior oferta de ações da história, cerca de R$ 126 bilhões.

Por isso, no dia 3 de setembro os petroleiros realizaram um dia nacional de greves e paralisações para conquistar o reajuste do ICV-Dieese e 10% de aumento real no salário base, além do pagamento dos 30% de periculosidade.

“O lucro da Petrobras no primeiro semestre de 2010 foi de 9 bilhões de dólares, igual ao lucro da Chevron, e maior do que o lucro da Conoco Phillips e da Royal Dutch Shell. Não há como aceitar um reajuste medíocre”, afirma Dalton Santos, diretor do Sindipetro Alagoas e Sergipe.

Parou geral
A força da greve foi muito grande, houve paralisação em todas as bases da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), com exceção do Sindipetro-RS.

No litoral paulista houve interrupção de operações durante oito horas. Na Refinaria Presidente Bernardes, a paralisação começou ainda de madrugada e contou com a adesão de mais de 90% dos petroleiros. No prédio do Edisa I, cerca de 90% dos trabalhadores também pararam. No Edisa II, o movimento conseguiu forte adesão. Nos terminais de Pilões e Alemoa, a participação dos trabalhadores foi maciça – todos aderiram à paralisação. Em São Sebastião, no Terminal Almirante Barroso (Tebar), houve adesão de 100% do turno e de 80% do ADM. Já na Unidade de Tratamento e Gás de Caraguatatuba (UTGCA), a mobilização foi feita por mais de 90% dos petroleiros. As plataformas de Merluza e Mexilhão também aderiram às paralisações. Os petroleiros embarcados não emitiram permissões de trabalho e adotaram operação padrão entre 7 e 15 horas. No final do dia, a categoria aprovou, por ampla maioria, greve por tempo indeterminado a partir do dia 14.

No Sindipetro Pará/Amazonas/Maranhão/Amapá foram realizadas paralisações de duas horas no prédio administrativo de Manaus. Uruco e a Transpetro de São Luís e Belém também pararam.

No Sindipetro de São José dos Campos foram realizadas paralisações de mais de uma hora. No Sindipetro do Rio de Janeiro, houve atos e mobilizações. Em Aracaju, os petroleiros realizaram uma manifestação em frente à sede da Petrobras pela manhã. Em Atalaia, a paralisação contou com a adesão de mais de 80% dos petroleiros diretos e terceirizados. Clarkson Araújo, dirigente do Sindipetro AL/SE, afirmou: “Se não houver aumento real até o dia 14, é greve”.

Nas bases controladas pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), ligada à CUT, também houve paralisações, com adesão de mais de 80% dos trabalhadores das bases operacionais, mas a maioria foi controlada pela direção.

>b>TEATRO DA DIREÇÃO DA FUP
As direções da FUP e da Petrobras estão realizando um “teatrinho” bem conhecido pelos trabalhadores. Primeiro, a empresa apresenta uma proposta rebaixada, depois a FUP finge que faz mobilização.

Em seguida, a empresa apresenta uma nova proposta, com algumas migalhas a mais, aí a FUP indica a aceitação.

Só que os trabalhadores não estão aceitando mais este jogo. Os sindicatos da FNP vêm realizando mobilizações em suas bases desde o dia 25 de agosto. Paralisaram no dia 3 e agora lançaram proposta de greve no dia 14.

Os trabalhadores exigem que a FUP acabe com o “teatro” e se una à FNP em uma greve unificada.

Eles sabem que o caminho é um só: parar a produção. A empresa só vai se mexer e apresentar proposta decente quando sentir o prejuízo das bombas e tanques parados.
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