Petroleiros param contra a entrega de reservas

Oposição mobiliza a categoria contra o leilão e por campanha salarialPetroleiros de todo o país realizaram uma forte greve de 24 horas no dia em que o governo iniciou a Sétima Rodada de Leilão das Reservas Petrolíferas, que vai de 17 a 19 de outubro no Rio de Janeiro. O leilão coloca à disposição das empresas privadas 1.134 blocos de exploração de petróleo e gás natural. A ANP (Agência Nacional do Petróleo) habilitou 114 empresas para participar do leilão, entre elas as grandes multinacionais do petróleo como a Esso, Shell, Chevron e a Repsol.

Além de enfrentar a entrega do petróleo ao capital privado e estrangeiro, os petroleiros lutam também pelas reivindicações da campanha salarial 2006. A paralisação contou com adesão total em nove refinarias, 32 plataformas da Bacia de Campos e os principais terminais. Além disso, os petroleiros realizaram diversas manifestações em todo o país. Essa foi a primeira grande mobilização da campanha salarial impulsionada pela Coordenação Nacional de Lutas e pelo BASE (Bloco Alternativo Sindical de Esquerda), corrente de oposição à direção da FUP (Federação Única dos Petroleiros), dominada pelos governistas da Articulação e do PCdoB.

Os petroleiros pararam totalmente as atividades das refinarias: REPLAN – Refinaria de Paulínia, em Campinas (SP); RPBC – Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão (SP); RECAP – Refinaria de Capuava, em Mauá (SP); REVAP – Refinaria do Vale do Paraíba, em São José dos Campos (SP); RLAM – Refinaria Landulpho Alves, na Bahia; FAFEN – Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados, Bahia; REMAN – Refinaria de Manaus, em Manaus (AM); REFAP – Refinaria Alberto Pasqualine (RS); REGAP – Refinaria Gabriel Passos (MG); REPAR – Refinaria de Araucária, no Paraná; SIX – Superintendência da Industrialização do Xisto, no Paraná. Os terminais: Guararema, Guarulhos, Barueri, São Caetano, Alemoa, Pilões e São Sebastião, (todos no estado de São Paulo); Senador Canedo (GO); Guaramirin, Itajaí, Biguaçu e São Francisco (todos em Santa Catarina); Paranaguá (PR); de SUAPE (PE); Marítimo Almirante Alves Câmara (BA); de Osório (RS); Cabiúnas (Macaé, no Norte Fluminense) e as áreas de produção: Bacia de Campos, Pólo Guamaré, Mossoró e Alto do Rodrigues, Sergipe e Alagoas.

Petroleiros rejeitam proposta da Petrobras
A categoria rejeitou a proposta rebaixada realizada pela direção da empresa, de apenas 4,89% de reajuste e nenhum ganho real. Além de propor um índice extremamente rebaixado, a Petrobras ainda ignorou as principais reivindicações da pauta, como o Plano Petros e o fim do trabalho terceirizado. Atualmente, os novos contratados, que correspondem a cerca de 25% dos ativos, não têm direito à previdência complementar. Já a terceirização avança rapidamente, chegando a constituir 80% dos petroleiros.

Neste final de semana, dos dias 23 e 24, haverrá uma reunião de um Comando Nacional de Mobilização chamado pelo Conlutas/Petroleiros/BASE, para fazer um profundo balanço da paralisação e decidir sobre novas ações.

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