PE: Rodoviários se revoltam contra direção pelega

PSTU se solidariza à greve

Presidente do sindicato acata decisão do TRT e chama fim da greve, decretada no dia 3 de julhoMais de 300 rodoviários realizaram uma vigília durante o julgamento da greve pelo Tribunal Regional de Trabalho de Pernambuco (TRT-PE) nesta quinta-feira (5). Motoristas, cobradores e fiscais aguardaram a decisão do dissídio coletivo em frente ao tribunal. Foram muitos os momentos de tensão. Além da polícia que rondava os manifestantes, vários capangas do sindicato a todo o momento provocavam os trabalhadores e trabalhadoras.

Após horas de espera, categoria não gostou do resultado. A Justiça considerou a greve abusiva e caso não retornasse ao trabalho, o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviários no Estado de Pernambuco (STTRE-PE) terá que pagar R$ 20 mil por dia. Ficou estabelecido um reajuste de apenas 7% e um aumento no ticket refeição de R$ 20. Mais uma vez, acontece um verdadeiro ataque aos trabalhadores.

Nessa situação, o presidente do sindicato, ligado à Força Sindical, Patrício Magalhães – que está há cerca de 30 anos na direção da entidade – não escutou a vontade dos manifestantes e preferiu acatar a decisão da Justiça para garantir os interesses da patronal. Patrício chamou o fim da greve. Esse fato fez com que todos gritassem uma única frase: “Fora Patrício”. Isso porque o sentimento dos manifestantes diante a postura do presidente é de traição.

Em assembleia realizada no dia 3 de julho, a categoria rejeitou a proposta da patronal, apesar da direção do sindicato ter concordado com o novo reajuste. Já em estado de greve desde o dia 29 de junho, os trabalhadores aprovaram o início do movimento paredista a partir do dia 4 de julho. A categoria exigia 30% de aumento salarial e que o valor do ticket subisse para R$ 200.

Atualmente, os motoristas de ônibus recebem um salário de apenas R$ 1.395, os cobradores ganham R$ 643 e os ficais R$ 903. O valor dos tíquetes é de R$ 140, isso não chega a cinco reais por dia.
Com a decisão judicial o salário dos motoristas passa para R$ 1.500; o dos cobradores para R$ 690; o dos fiscais para R$ 970. Os tíquetes-alimentação sobem para apenas R$ 160. Os novos valores entram em vigor este mês.

Uma nova direção está surgindo
Esse pode ser considerado um momento histórico na vida dos rodoviários de Recife. Patrício precisou acionar a polícia para ser escoltado porque nem seus capangas conseguiram segurar a fúria dos trabalhadores diante de tal traição. A todo o momento, a postura do sindicato foi de defesa dos interessas das empresas de ônibus.

Pode-se até arriscar que uma nova direção está surgindo na categoria. Mesmo sem a presença do sindicato, foi realizada uma reunião – no momento com os mais de 300 presentes – que aprovou continuar em greve e não acatar a decisão do TRT.

Os ativistas saíram em passeata do bairro do Recife Antigo, passando pela Avenida Conde da Boa Vista até a Praça do Derby. Foram 10km de distância. Foram 10km de resistência. Ao final da passeata, os presentes decidiram organizar um novo ato para a sexta-feira, dia 6 de junho, em frente à sede do governo estadual, o Palácio das Princesas com o objetivo de pressionar o governador Eduardo Campos (PSB) a se posicionar a favor dos rodoviários.

Um elemento muito presente na fala dos participantes da greve foi o reconhecimento do PSTU. Em várias intervenções, foi possível escutar que o partido foi o único que de fato se posicionou a favor do movimento e isso mostrou que o PSTU estava ao lado dos trabalhadores.

A justiça é dos ricos e para os ricos
Várias denúncias também foram ouvidas na passeata. Um exemplo é que muitos motoristas trabalham mais de oito horas diárias. De acordo com as denúncias, um dia de trabalho já paga o salário de um motorista, pois muitos chegam a dar oito viagens diárias em média. Isso o Ministério do Trabalho não vê. Pior, dá declarações que não convence.

Em entrevista à mídia local, o procurador Fábio Farias, do Ministério Público do Trabalho afirmou que esse amento é o melhor que poderia ter acontecido. “Os 7% não são o reajuste dos sonhos, mas há uma falta de parâmetros para definir qual seria o reajuste mais justo. Eu não sei quanto da tarifa vai para o empresário, quanto vai para os custos do serviço. Então, acho que é melhor ficar com esses 7%”, ponderou.
O que aconteceu em Recife só nos confirma a certeza de que a justiça também tem seu lado: dos empresários.

O destino da greve e a lição dessa luta
O que vai acontecer a partir de agora está nas mãos dos rodoviários de Recife. Na manhã de hoje (6), vários ônibus foram vistos nas ruas. A empresa afirma que 100% das frotas estão atendendo, mas segundo informações, o ato no Palácio das Princesas ainda está sendo chamado pelo comando de mobilização de base. O PSTU estará presente novamente para lutar ombro a ombro com a categoria.

Seja qual for o destino desse movimento, duas lições já podem ser tiradas dessa greve. A primeira foi ter a certeza de que essa justiça só protege os interesses das empresas de ônibus e, portanto, não se pode confiar nela. A segunda é que o sindicato se mostrou capacho da patronal e é preciso derrubar essa direção pelega. Por isso, a militância do PSTU se soma aos manifestantes dos rodoviários num só grito: Fora Patrício!

PE: Somos todos Rodoviários! A greve deve continuar!