PCdoB: de Stalin à social-democracia

Os trabalhadores e jovens do país, céticos em relação aos partidos políticos, falam da trajetória do PT para mostrar como se muda de posição quando se chega ao poder. Já existe um grande repúdio nos setores mais conscientes contra os setores de esquerda que se transformam em direita com uma rapidez impressionante.

Mas não é justo falar só do PT. Existe um partido que é o ajudante-geral do governo, e muitas vezes faz o trabalho sujo no lugar do PT: é o PCdoB, que tem dois ministros no governo, e faz de tudo para ganhar a confiança de Lula.
Esse partido está chegando a um grau de degeneração impressionante por sua integração ao regime democrático burguês e apoio ao governo. Três episódios recentes ilustram essa degeneração.

O primeiro envolve Aldo Rebelo, um dos ministros do PCdoB. Como todos sabem, Aldo está para ser demitido, vivendo há meses uma “fritura” pela imprensa, não tendo mais nenhum poder real. A folha de serviços prestados por ele à política neoliberal do governo não é pequena. Na briga para continuar no cargo, Aldo argumenta a sua “eficiência” na aprovação da Lei de Biossegurança, que liberou o cultivo dos transgênicos no país; na aprovação da reforma Tributária, que aumentou a carga de impostos sobre os trabalhadores; e na aprovação do salário mínimo de fome de R$ 260, em 2004.

Aldo está promovendo, no dia 17 de maio, um almoço com os partidos burgueses que fazem parte da base do governo no Congresso, como parte de sua luta para permanecer no cargo. Na ocasião, reúnem-se o PP de Severino Cavalcanti, o PMDB de José Sarney e o PTB do mais célebre corrupto da república, Roberto Jefferson. Os aliados, apoiados por Aldo, reivindicam mais cargos no governo. O leitor já imaginou o que significa dar mais cargos para o PTB de Roberto Jefferson?

O segundo episódio envolve a UNE, dirigida pelo PCdoB. Essa entidade, que já foi um símbolo da luta da juventude contra a privatização das universidades públicas, está preparando seu próximo congresso como um ato a favor da reforma Universitária proposta pelo governo. Essa reforma transfere dinheiro público para as universidades privadas (com o ProUni), e amplia o sucateamento das universidades públicas e sua subordinação ao mercado. A UNE transformou-se em mais uma entidade chapa branca, um braço do governo no movimento estudantil.

O terceiro episódio envolve a atuação da Corrente Sindical Classista (CSC), tendência sindical do PCdoB. Até agora, a CSC vinha se posicionando contra a reforma Sindical do governo, que, como se sabe, vai abrir as portas para a perda de direitos históricos dos trabalhadores, como as férias e o 130 salário. Essa corrente vinha participando inclusive da Frente Sindical Contra a Reforma, da qual faz parte a Conlutas e a esquerda da CUT.

Na Plenária Nacional da CUT, no entanto, a CSC votou junto com a Articulação, uma “Plataforma Democrática Básica”, que mantém a essência da reforma Sindical, alterando somente a questão da unicidade sindical. A jogada da Articulação apoiada pelo PCdoB, mantém a estrutura atual dos sindicatos, que tem exclusividade de representação na base, preservando todo o restante da reforma, inclusive a perspectiva de ataque aos direitos dos trabalhadores. Quer dizer, em troca da manutenção do controle dos aparatos sindicais atuais, o PCdoB recua da luta contra a reforma Sindical.

O PCdoB significa, nos dias de hoje, a continuidade do stalinismo, do qual nunca fez uma autocrítica real. Segue atuando com as mesmas características básicas do stalinismo: o apoio e a participação em governos burgueses (como o de Lula), a utilização de calúnias contra todos os adversários políticos, os métodos autoritários quando chega a dirigir o movimento de massas, como na UNE.

Mas hoje o PCdoB já não expressa somente sua origem stalinista. Está vivendo um rápido processo de social-democratização, por estar completamente adaptado ao Parlamento e aos cargos no governo. Por isso, cada vez mais se parece com o PT.
Quando o barco do PT afundar, seguramente os ajudantes do PCdoB mergulharão juntos. Mas eles se merecem.

Post author Editorial do jornal Opinião Socialista 218
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