Patrões punem ativistas com demissões

A onda de demissões e perseguição contra inúmeros ativistas em todo o país mostra que o aumento da repressão não é fato isolado, mas faz parte tanto da política do governo Lula, quanto dos governos estaduais e municipais, além de ser orientação dos empresários. Na Volkswagen de São Bernardo do Campo (SP), berço político de Lula, dois dirigentes sindicais que tiveram papel destacado nas mobilizações contra o corte de pessoal na empresa foram demitidos. Biro-Biro e Rogério Amâncio, o Rogerinho, foram criteriosamente selecionados para servirem de exemplo aos demais ativistas.

Outro caso emblemático foi a arbitrária demissão de cinco dirigentes metroviários de São Paulo. O anúncio da punição ocorreu após a paralisação do dia 23 de abril, contra a derrubada do veto à Emenda 3. Apesar de a direção do Metrô ter armado um esquema de guerra para impedir a mobilização, os trabalhadores paralisaram as atividades por três horas. Por isso, o governo tucano de José Serra exigiu uma punição exemplar ao movimento.

No momento em que os metroviários preparam uma greve contra as demissões, o Metrô espalha inúmeros cartazes contra a paralisação “injustificável” dos funcionários. Tentam, assim como o governo Lula faz com os servidores, jogar a população contra os trabalhadores.

No Rio de Janeiro não é diferente. Em abril, os funcionários da empresa privatizada de energia Light se mobilizaram contra a demissão de 44 trabalhadores de um setor. Os funcionários ocuparam uma unidade da empresa em protesto contra as demissões e o avanço da terceirização. A resposta da direção da empresa foi a demissão de quatro dirigentes, sindicais entre eles o ativista da Conlutas Ronaldo Moreno, presidente da Associação dos Empregados da Light.

Em Recife (PE), a prefeitura do petista João Paulo demitiu a professora e dirigente sindical Cláudia Machado Ribeiro. A ativista, diretora do Simpere (Sindicato dos Professores Municipais do Recife), vinha denunciando as precárias condições de ensino enfrentadas por alunos e professores nas escolas públicas da cidade.
Em todo o país e em todos os setores, crescem os casos de repressão às greves e aos ativistas. A criminalização da greve já está ocorrendo na prática, antes mesmo da votação do pacote de Lula. Porém, a resposta a esse processo veio do próprio ABC.

Após uma ampla campanha, a Justiça anunciou, no último dia 10, a reintegração de Rogerinho ao quadro da Volkswagen. Apesar de a luta não ter terminado, essa importante vitória mostra que apenas a mobilização pode enfrentar o autoritarismo e a repressão.

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