Parlamento europeu aprova lei contra imigrantes

Causou perplexidade e muita revolta a aprovação da Diretiva de Retorno, lei que endurece as relações dos governos da União Européia (UE) com os imigrantes. A nova lei foi aprovada pelo Parlamento Europeu no último dia 18. O seu conteúdo é profundamente racista e xenófobo. A Diretiva vai permitir que os governos da UE mantenham presos por até 18 meses imigrantes clandestinos ou solicitantes de asilo não atendidos, antes de sua deportação.

O absurdo do novo texto é tamanho que admite implicitamente a deportação de alguma criança ou menor que não esteja acompanhado dos pais.

Além disso, todo imigrante que for expulso da União Européia será proibido de ingressar em qualquer país do bloco por pelo menos cinco anos. Várias organizações de defesa dos direitos humanos alertam também para a possibilidade da diretiva permitir deportações para países onde os migrantes podem sofrer torturas, hostilidades e até a morte.

Imperialismo com face humana?
A perseguição contra imigrantes joga por terra o mito do “imperialismo civilizado”. Muitos seguiam acreditando que o imperialismo europeu é diferente, humano e civilizado. Pura ilusão.

A nova lei está inserida no cenário de uma ampla campanha xenófoba que varre a Europa. No último período os governos da Itália e França realizaram intensas campanhas contra imigrantes ilegais. Uma verdadeira “caça as bruxas” (bem conveniente aos governos de plantão), cujo objetivo é dividir os trabalhadores e botar sobre as costas dos setores mais oprimidos e explorados dos trabalhadores a culpa pelo desemprego, violência, falta de investimentos públicos etc. Dessa forma, os governos utilizam o discurso contra a imigração – tão comum a ultradireita européia – para se livrar de suas responsabilidades.

No entanto, o imperialismo, necessita da imigração para assegurar o funcionamento de suas empresas, utilizando essa mão-de-obra siga barata e dispensável e manter seus lucros. Ao mesmo tempo, não aceita uma verdadeira integração, exatamente para que os imigrantes não tenham os mesmos direitos dos trabalhadores nascidos na Europa. Por isso, os mantém na ilegalidade ou semilegalidade, persegue, os deixa em guetos, sem verbas para saúde e educação etc.

Os imigrantes são componentes de peso do proletariado europeu, pauperizado e precarizado pela globalização. A partir da década de 80, passou a haver uma imigração massiva, tanto dos países semicoloniais da África e América Latina como do Leste europeu (por causa da restauração do capitalismo).

Mas os imigrantes começaram a levantar sua cabeça e partir para a luta. Os exemplos mais formidáveis foram às marchas contra leis antiimigração nos Estados Unidos defendidas por Bush. Na Europa, certamente, este ataque vai instigar que trabalhadores imigrantes sigam este exemplo. É necessário, entretanto, que o conjunto dos trabalhadores europeus una-se a essa luta e derrote a xenofobia imposta pelos governos.