Os verdadeiros responsáveis

Os meios de comunicação e os governos tentam, a todo custo, vender a imagem de que a natureza é a única responsável. O mesmo velho argumento dos governos anteriores.
Ainda que tenha chovido mais do que choveria em todo o mês, a natureza não pode ser a única explicação para o tamanho do caos. Por que ocorreram tantas mortes? Por que estes mortos estão em sua absoluta maioria nos lugares mais pobres da cidade? Por que a maioria é negra?

Culpar a natureza é agir como os que apresentam o terremoto no Haiti e seus 100 mil mortos como um grande desastre natural, sem considerar que a causa de tantas mortes está na miséria em que o país está submetido há mais de um século.
No Rio, todos são responsáveis. Até mesmo porque Eduardo Paes estava ontem com Cesar Maia, Sérgio Cabral com Garotinho e, hoje, todos estão com Lula.

Onde estão os milhões de reais do petróleo e dos impostos?
Seguindo os passos de FHC, o governo Lula decidiu entregar o petróleo brasileiro às multinacionais. Tenta enganar a população – com o apoio do governador e dos prefeitos do Rio – dizendo que o principal é a forma como os royalties serão distribuídos. Ora, para que royalties quando 100% das receitas obtidas com o petróleo deveriam ser do povo brasileiro, dos trabalhadores? Por que ficarmos com uma ínfima parte de bilhões quando os trilhões deveriam ficar no país?

O dinheiro da despoluição da baía de Guanabara não garantiu a limpeza do entorno ou a retomada das parcelas aterradas. Aliás, não se tem sequer prestação de contas desse dinheiro ou das obras. O que existe é o assoreamento de parte da baía, o represamento dos rios, o esgoto de indústrias e dos gigantescos prédios e condomínios dentro das águas, ajudando no alagamento e na tragédia nas cidades. Sobre isso, nenhuma palavra das autoridades ou dos meios de comunicação.

Um plano de obras públicas
Os governos de Lula e Cabral insistem em prometer o paraíso, um mundo de contos de fadas a partir da conquista da Copa do Mundo, da Olimpíada e do petróleo. No entanto, a realidade é a que estamos vendo: milhares de trabalhadores, com suas casas e seus sonhos, submersos nas águas das chuvas. Encharcados de promessas.

É possível termos chuvas pesadas sem pagarmos o preço em vidas humanas? É possível chover torrencialmente sem que milhares de pessoas fiquem ilhadas nas ruas?
Sim, isso é possível. Um plano de obras públicas que possa enfrentar ao mesmo tempo o desemprego e os problemas estruturais de esgoto e saneamento é possível e viável. Para isso é necessário perguntar: de onde sai o dinheiro?

Com a crise econômica, o governo Lula liberou R$ 370 bilhões para as grandes empresas, uma montanha de dinheiro, ainda mais se compararmos com os R$ 11 bilhões destinados ao Bolsa Família. As dívidas externa e interna sangram o país, enchendo os bolsos dos banqueiros e especuladores daqui e de fora.

A inversão dessa lógica cruel – governar para os banqueiros, para os ricos e poderosos – geraria em poucas semanas um volume de dinheiro suficiente para atacar em várias frentes: esgoto e saneamento; contenção de encostas; construção de escolas e hospitais; construção de casas populares em locais seguros e próximos aos locais de trabalho; estradas; mais trens e metrôs de qualidade.

É uma questão de opção política, de escolha: governar para os ricos e poderosos, ou governar para os de baixo, governar para e com os trabalhadores e o povo pobre. Lula, Cabral e Eduardo Paes fizeram sua opção. As consequências das chuvas para os trabalhadores e o povo pobre apenas confirmam isso.
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