Os primeiros passos da Central Sindical e Popular fundada no Conclat

Primeira reunião da Coordenação Nacional acontecerá entre os dias 23 a 25 de julho, no Rio de JaneiroApós a histórica realização do Congresso da Classe Trabalhadora, infelizmente marcada também pela derrota da ruptura dos setores minoritários que não aceitaram as votações de plenário, a central fundada neste congresso dá seus primeiros passos.

Apesar das poucas semanas de sua fundação, já vemos a central sindical e popular fundada no Conclat realizar as suas primeiras atividades. Sejam nas greves, como a dos trabalhadores da USP, dos servidores do judiciário federal, dos servidores do judiciário estadual de São Paulo ou a dos rodoviários de Fortaleza, seja na ocupação do Rodoanel (em São Paulo ) realizada pelo MTST ou pelas mobilizações do MTL na região do Triângulo Mineiro, as bandeiras das organizações que fundaram a entidade demonstram o caminho que será adotado na construção da nova organização: a forte presença nas mobilizações dos trabalhadores e do conjunto dos explorados e oprimidos.

Já na semana seguinte ao congresso, vimos também a Secretaria Executiva Nacional (SEN) provisória dando prosseguimento a campanha de exigência ao presidente Lula que não vetasse o projeto do reajuste dos aposentados e que acabava com fator previdenciário, iniciada pela Conlutas e a Cobap. Agora, a central vai denunciar com veemência a traição do veto do presidente ao fim do famigerado fator que reduz o valor das aposentadorias e aumenta o tempo de serviço.

No dia 15 de junho, aconteceu a primeira reunião da SEN provisória, onde foi oficializado o início da construção da central fundada no Conclat, tendo como as principais decisões a montagem das equipes de trabalho para responder o cotidiano das atividades da entidade, a definição da nota oficial sobre os acontecimentos lamentáveis na ruptura do Congresso e a convocação da primeira reunião da Coordenação Nacional de entidades e movimentos.

Na pauta da coordenação estará obrigatoriamente a eleição da SEN ordinária, pois a atual tem seu mandato provisório até a realização da primeira reunião da coordenação. Além disso, será definido o nome votado no congresso, pois a Intersindical, um dos setores que infelizmente rompeu o congresso, não participa até então da entidade e, caso se consume essa divisão, não terá sentido usar esse nome. O plenário do congresso autorizou a Coordenação Nacional, diante da ruptura, realizar mudanças no nome da entidade.

A Coordenação Nacional acontecerá entre os dias 23 a 25 de julho, no Rio de Janeiro. Esta importante reunião terá a missão de normalizar definitivamente o funcionamento da entidade. Portanto, é esperada uma grande presença das entidades de base e movimentos que compõem a central sindical e popular fundada no Conclat.

Setores que romperam não respeitam as resoluções do congresso
O bloco Intersindical-Unidos-MAS, que tiveram cerca de um terço dos delegados e romperam com o congresso por não aceitarem a legitimidade das votações mais importantes do plenário, publicaram uma nota conjunta (além de notas específicas de cada organização), convocando uma reunião para o final do mês. Uma leitura mais atenta destas notas demonstra que a razão desta ruptura não é simplesmente a questão da definição do nome da entidade.

Estes setores questionam votações do congresso, especialmente a que definiu o caráter sindical e popular da entidade com a participação deliberativa do movimento estudantil e dos movimentos de luta contra as opressões. O argumento absurdo é que a presença destes setores acaba com o caráter classista da entidade que fundamos.

Outra diferença fundamental é na concepção de funcionamento da entidade. Os setores rupturistas querem impor um funcionamento por consenso entre as correntes políticas mais fortes que compõe a entidade. Esta proposta revela de forma cristalina que estes setores ainda não têm acordo com a construção de uma entidade nacional de frente única, que funcione com uma concepção onde o voto dos representantes das entidades de base e dos trabalhadores esteja sempre acima dos acordos entre as correntes políticas.

Em nossa opinião, a militância dos partidos e organizações políticas da classe trabalhadora é muito bem vinda na organização que estamos construindo, mas suas decisões políticas devem ser tomadas, de forma soberana e autônoma, nos seus fóruns e instâncias formados pelos representantes das entidades de base e movimentos.

E, por último, mais não menos importante, os setores que romperam com o congresso exigem um nome que não tenha o termo Conlutas. Assim demonstram que seu verdadeiro objetivo não é se unificar com a Conlutas, mas sim apagar seu nome da história do movimento operário brasileiro. O processo de unificação atual já deu demonstrações evidentes de suas limitações políticas e é mais que legítimo que as organizações envolvidas neste processo queiram manter na nova entidade o acúmulo construído anteriormente.

Mais uma vez, o chamado à unidade
Mesmo com os argumentos absurdos presentes nas notas públicas dos setores que não respeitaram as decisões legítimas do congresso, a SEN provisória eleita no Conclat apresentará uma proposta que busca novamente retomar o caminho da unidade.

Na proposta estará presente, em primeiro lugar, o respeito às deliberações tomadas pelo congresso e a manutenção do funcionamento de uma verdadeira entidade de frente única, e não baseada nos acordos permanentes entre as correntes políticas. Caso exista acordo nestas duas questões básicas, será apresentada a disposição de propor a Coordenação Nacional de julho a inversão na ordem de apresentação do nome votado no Conclat.

Esperamos que estes setores revejam a sua posição de romper com as votações legítimas do congresso, e retomem o caminho da unidade.
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