Os limites da recuperação

Apesar dos estímulos fortíssimos vindos do Estado, os investimentos privados (o motor da economia capitalista) ainda seguiram caindo no segundo trimestre de 2009 nos EUA. Os investimentos dependem da recuperação da taxa de lucros, o que ainda não aconteceu. Isso explica os limites da recuperação parcial atual. E abre uma séria interrogação: até quando os governos conseguirão bancar essas gigantescas “bolsas família” de banqueiros?

O déficit público dos países imperialistas está explodindo. Nos EUA, os juros da dívida nacional vão crescer de 172 bilhões de dólares neste ano para mais de 800 bilhões de dólares em dez anos. A dívida pública chegará perto de 85% do PIB europeu em 2010, e deve alcançar 140% do PIB das economias imperialistas em apenas cinco anos, segundo o FMI.

Essa farra inevitavelmente um dia vai ter de ser paga com cortes nos serviços sociais. E terá de ser revertida para uma política “austera”, clássica do FMI. Isso significará parar de empurrar a economia com esses pacotes. Até lá, a burguesia já terá recuperado a taxa de lucros e retomado seus investimentos? Caso não consiga, uma nova crise virá.

Na hipótese de que a burguesia consiga reverter a taxa de lucros e os investimentos, teremos uma recuperação real da economia. Mas ela se daria em bases anêmicas. Não existe no horizonte nenhum auge como o dos anos 90, que se deveu a uma combinação de fatores econômicos e extraeconômicos, como a incorporação da informática e a reestruturação produtiva, a restauração do capitalismo no Leste Europeu e os planos neoliberais.

O que surge no horizonte é o mesmo neoliberalismo, agravado por um predomínio parasitário ainda maior do capital financeiro, ataques aos trabalhadores e países semicoloniais.

Além disso, a maneira usada pelo imperialismo para conseguir essa recuperação está agravando suas contradições internas. Uma nova e gigantesca bolha financeira está se iniciando com todo esse dinheiro público.

É possível que acabe ocorrendo uma quebra no sistema financeiro internacional ao se ampliar brutalmente o déficit público nos EUA e fragilizar ainda mais o dólar como moeda universal.

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