Os desafios do movimento estudantil

Congresso da ANEL aprovou resoluções para enfrentar os futuros desafios, na defesa da educação públicaEntre os dias 23 e 26 de junho, foi realizado o 1º Congresso da ANEL (Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre!). Quem esteve presente, se sentiu fazendo história. Com mais de 1.700 participantes, foram quatro dias de muitos debates sobre os mais variados temas. No último dia, os mais de 1.100 delegados votaram as resoluções que, sem dúvida, preparam o movimento estudantil brasileiro para enfrentar os desafios do próximo período.

Logo no primeiro dia do Congresso, os participantes debateram o tema que depois resultou na principal resolução votada. Dividindo experiências da situação de cada universidade e escola, os estudantes aprofundaram seu conhecimento sobre o polêmico novo Plano Nacional de Educação (PNE), do governo Dilma.

Este plano, que sistematiza os principais projetos educacionais do governo Lula, ao longo dos seus dois mandatos (como o Reuni, Prouni, Enem, Ensino à Distância) foi encarado pelo Congresso da ANEL como o principal ataque à educação pública brasileira, já que aprofunda a privatização e precarização do ensino. O novo PNE propõe um investimento na educação de 7% do PIB só em 2020. Este é o mesmo que, em 2001, foi aprovado como meta e que o governo Lula se recusou a garantir. Ou seja, o governo federal está disposto a arrastar em 20 anos o atraso histórico do Brasil no terreno da educação deixando a juventude refém de altos índices de analfabetismo, evasão escolar e sem acesso ao ensino superior. Deixando, enfim, a juventude sem qualquer perspectiva de futuro.

A partir desta compreensão, a resolução votada afirma: “A ANEL deve se comprometer, portanto, em organizar no próximo período uma ampla Campanha Nacional contra o PNE do governo Dilma e pelos 10% do PIB pra educação já! Desde sua fundação, a ANEL lutou com força em cada curso e escola pelas melhorias educacionais e em defesa da nossa concepção de educação. Só com muita luta unitária é possível garantir o nosso programa para educação, com uma expansão com qualidade e o fortalecimento da educação pública e gratuita para todos.”

Para concretizar isso, o Congresso votou a realização de um “plebiscito popular nacional por ‘10% do PIB para a educação pública já!’, com indicativo de sua realização em novembro.” Algo que já está em articulação com o ANDES-SN, a CSP-Conlutas e outras entidades. Além disso foi aprovada a realização de “uma jornada nacional de lutas entre os dias 17 e 26 de agosto, com uma manifestação em Brasília no dia 24 de Agosto de 2011.” Os participantes saíram do Congresso muito empolgados e confiantes para organizar essa luta com força no segundo semestre, em cada universidade e escola. E, juntos, em todo o país.

Contra o racismo, machismo e a homofobia!
Outras resoluções que representam muito o congresso são as relacionadas ao combate às opressões. Se já era uma marca da ANEL, desde sua fundação, o debate e o combate sistemático às opressões, o congresso reforçou essa importante característica da entidade. A partir de grupos de discussão, a entidade se armou em campanhas e propostas concretas. Contra o machismo, “a ANEL seguirá construindo o Movimento Mulheres em Luta junto com a CSP-Conlutas, como forma de concretizar a aliança entre as jovens estudantes e as mulheres trabalhadoras”. Contra o racismo, iremos organizar a “campanha ‘Sou [email protected] Sim”; e, contra a homofobia, com a “Criação do Kit Anti-Homofobia da ANEL, a ser distribuído em DAS, CAS, DCE’S e grêmios nas calouradas.”

Construir a ANEL também é sustentá-la financeiramente
Um dos grandes passos que a entidade deu neste Congresso foi votar resoluções acerca da concepção de entidade, do trabalho de base e das finanças da ANEL. O Congresso advogou: “O CNE fundou uma nova entidade e definiu uma nova concepção de ME. A ANEL nasce, portanto, resgatando quatro princípios fundamentais que a UNE abandonou: independência, classismo, ação direta e democracia.”

A preocupação com que a ANEL seja controlada pela base dos estudantes também esteve presente. Por isso, aprovamos “campanhas de construção da ANEL nas universidades e escolas, através de comissões que irão divulgar as próximas atividades e suas assembléias estaduais e nacional.” Além de “incentivar todos os ativistas do movimento a serem parte da vida social e acadêmica das escolas e cursos” e “ligar todas as necessidades mais concretas dos estudantes com as lutas e bandeiras mais gerais da ANEL.”

E com coerência ao seu programa, estruturou a forma de garantir um cotidiano de lutas à entidade: “a discussão sobre o financiamento independente não é algo menor.

Faz parte de uma grande disputa no conjunto do movimento e nos obriga a resgatar concepções que a UNE abandonou. Por isso, o primeiro desafio é estabelecer uma forma de estruturação financeira que dê condições de estruturar a ANEL e reinaugure uma nova geração nessa concepção.” E como conseguir isso? O Congresso respondeu: “Todos os repasses serão contabilizados a partir de uma campanha, organizada pelas Comissões Executivas Nacional e Estaduais, de cadastro nacional de entidades e estudantes que constroem a entidade. Será criado um caixa nacional da ANEL, para financiar as iniciativas da entidade.”

Reafirmando o compromisso da ANEL com as iniciativas da Jornada da Unidade, a entidade seguirá a batalha por unir todos os lutadores e lutadoras do movimento estudantil, deixando suas portas abertas para quem quiser participar. E, inspirados pelo levante da juventude árabe, palestina, europeia e, agora, a chilena, (aos quais a ANEL reafirma a completa solidariedade), o Congresso da ANEL terminou num verdadeiro êxtase, que era apenas expressão do sentimento de estar entre companheiros, fazendo história e abrindo o novo movimento estudantil passar.

Post author Clara Saraiva, da Secretaria Nacional de Juventude do PSTU
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