Os desafios do Encontro Nacional de Estudantes

Para quem tinha alguma dúvida sobre os rumos da UNE, o 11º Conselho Nacional de Entidades de Base (Coneb) foi muito esclarecedor. Resoluções de apoio ao governo, a transformação da entidade em comitê eleitoral para reeleição de Lula e a aprovação dos “filtros” ditaram os ritmos do evento.

Não por acaso, o Encontro Nacional de Estudantes (ENE), impulsionado inicialmente somente pelos DCEs UFRJ, UFMG e UEM e pela Conlute, tomou grandes dimensões. Até mesmo representantes de entidades que vinham defendendo a permanência na UNE, como o DCE UFAM (Amazonas), garantiram presença.

Independência política e financeira
Estudantes de todo o País não estão medindo esforços para chegar a Sumaré (SP) e discutir a crise da educação e os rumos do movimento estudantil. Foram semanas de muitos sacrifícios, correndo atrás de ônibus e dinheiro, para garantir o transporte e a inscrição dos participantes. Mas valeu a pena! Esse é o preço para construir um novo movimento estudantil auto-financiado e independente do governo do mensalão.
Mesmo antes do ENE começar, a discussão política já vinha sendo feita. O caderno de teses foi confeccionado e enviado pela Conlute para a maioria dos estados, permitindo que os estudantes tivessem acesso a várias propostas e concepções.

Mais verbas para a educação
Os sucessivos cortes do orçamento da educação levaram as instituições públicas de ensino a uma situação miserável. Universidades como a UFRJ mal conseguem pagar suas contas de luz, água e telefone. Laboratórios, bibliotecas e prédios estão totalmente sucateados e abertos à iniciativa privada. Faltam professores e funcionários e a assistência estudantil quase não existe.

Como se não bastasse, o governo apresentou semana passada no Congresso Nacional a versão definitiva do projeto de reforma Universitária, sob orientações do Banco Mundial.

Por isso, os DCEs UFRJ, UFMG e UFAM estão propondo ao ENE uma campanha por mais verbas para educação, buscando unir os problemas do dia-a-dia dos estudantes à política econômica e educacional do governo Lula.

Campanha por uma nova entidade
A experiência com o governismo e o burocratismo da UNE provocou uma série de rupturas, entre elas de executivas de curso como as de letras e pedagogia, e abriu no movimento estudantil uma dura polêmica sobre a construção de alternativas.
A Conlute vem cumprindo um papel muito importante nas mobilizações estudantis em nível nacional. Foi assim na luta contra a reforma; na greve de 2005 das Instituições Federais de Ensino; nas marchas à Brasília contra a corrupção; e também em várias lutas localizadas, como na intervenção da Igreja e dos bancos na PUC-SP.

Foram importantes iniciativas, mas insuficientes para os desafios que estão colocados adiante. É preciso unificar em uma mesma entidade estudantes secundaristas e universitários das instituições públicas e privadas, capaz de responder aos ataques do governo e superar a crise de representatividade decorrente da falência da UNE. A divisão e a dispersão de forças só fortalecem nossos inimigos.
Acreditamos que a construção de uma nova entidade deve ser feita em um processo radicalmente democrático, com CAs, DCEs, executivas e grêmios, sem precipitações e ultimatos, respeitando os ritmos dos diferentes setores envolvidos.

Em aliança com os trabalhadores
Não há outro caminho para a transformação profunda da sociedade, ou para obtermos vitória nas lutas dentro das escolas e das universidades, sem estarmos com os trabalhadores. As mobilizações na França apontaram o caminho, quando estudantes e trabalhadores deflagraram a greve geral que derrotou o projeto de precarização do trabalho, o CPE de Chirac e Villepin.

Portanto, a eleição de delegados estudantis ao Conat e o fortalecimento da Conlutas como um organismo de todos os movimentos sociais são determinantes para arrancarmos alegria do futuro.

Post author Leandro Soto, da Secretaria Nacional de Juventude do PSTU
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