Os cansados

A burguesia paulista, através de PSDB e DEM e com o apoio da Fiesp, OAB-SP e Associação Comercial de São Paulo, lançou o movimento “Cansei” para capitalizar o desgaste de Lula com a crise aérea. Trata-se de uma enorme hipocrisia partindo do mesmo setor que levou o país ao apagão elétrico no governo FHC e à tragédia do Metrô de São Paulo em janeiro.

A burocracia da CUT reagiu com o movimento “Cansamos”, tentando polarizar com o “Cansei” e atribuir todas as críticas pela crise aérea a um suposto plano golpista.

Esses dois movimentos expressam bem a tragédia atual da política brasileira, dividida entre dois setores “cansados”. Cansados de quê?

A burguesia paulista não se cansa de conseguir lucros recordes que existiram no governo de FHC e continuaram no governo Lula. O Bradesco lucrou R$ 4 bilhões só no primeiro semestre deste ano, mais que os R$ 3 bilhões em investimentos previstos nos aeroportos de todo o país nos próximos quatro anos.

A reação da CUT e do PT não poderia ser pior. A pergunta também vale para eles. Estão cansados de quê? Eles transformaram a vida sindical em um trampolim para “subir na vida” à custa de acordos com os patrões. Traem as greves nos sindicatos e governam o país junto com a grande burguesia. A maioria dos trabalhadores do país ainda acredita nessas figuras, mas deveria parar para pensar.

Os trabalhadores é que deveriam se cansar desses dois blocos de “cansados”. Entre eles não há nenhuma diferença de projeto político ou econômico. Muito menos existe qualquer plano golpista. Para que a burguesia pensaria em golpe com tantos lucros no governo Lula? Essa briga é só uma preparação para as próximas eleições. Uns e outros querem assegurar as vantagens que conseguem através do poder.

As respostas dos “cansados”
Em setembro, a Conlutas, o MST, vários setores da Igreja e outras organizações da Assembléia Popular vão realizar um plebiscito nacional para que os trabalhadores opinem sobre a privatização da Vale, a reforma da Previdência, o pagamento das dívidas interna e externa e as altas tarifas de energia. Os dois blocos de “cansados” responderiam juntos a essas perguntas. Diriam que sim, estão de acordo.

Os do PSDB estão de acordo com a privatização da Vale porque foi no governo FHC que a empresa deixou de ser estatal. A direção do PT está tão de acordo que Lula não mexeu uma palha para reverter a privatização.

PSDB e PT estão de acordo com o pagamento das dívidas interna e externa, em que FHC e Lula são recordistas. Os dois partidos são responsáveis pelas tarifas elétricas atuais no país.

PT e PSDB estão de acordo com a reforma da Previdência que estão preparando para atacar o direito de aposentadoria dos trabalhadores. A CUT finge estar contra, mas quer bloquear a luta contra a reforma para evitar qualquer problema para o governo Lula. Os burocratas da CUT não tiveram nenhum cansaço em sua briga para tentar evitar que houvesse uma pergunta sobre a reforma da Previdência no plebiscito.

Preparar o “NÃO” dos trabalhadores
Não acreditamos que sejam essas as respostas dos trabalhadores.

É preciso que os sindicatos e as entidades estudantis e populares se engajem na preparação do plebiscito. A discussão nas bases, o esclarecimento através de palestras e debates por todos os lados devem ser parte dessa preparação.

O “não” dos trabalhadores e estudantes respondendo a cada uma dessas perguntas pode ser o início de um NÃO aos dois blocos de cansados.
Post author Editorial do Opinião Socialista nº 309
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