Os 100 dias de greve na educação federal

Fasubra e Sinasefe fecham acordo, mas movimento segue no Andes e professores universitários mantêm a greveA greve do setor da educação federal, que está completando 100 dias, continua em desenvolvimento, apesar de todos os ataques que vem sofrendo. De um lado, o governo Lula continua intransigente nas negociações, cortou o ponto e promoveu ações jurídicas e multas contra os sindicatos, para impor sua política de reajuste zero para os servidores em 2005. Lula prefere pagar R$ 500 milhões por dia de juros da dívida do que atender as reivindicações do funcionalismo. Do outro, a postura governista e traidora dos setores da CUT na Fasubra (Tribo e PCdoB) e do Proifes – direção chapa-branca da CUT e do governo na base do Andes – que fizeram de tudo para detonar a greve.

Esses obstáculos trouxeram dificuldades à greve o tempo todo. Mesmo com um bom ato no dia 23 de novembro, em que 800 trabalhadores fizeram um protesto no prédio do MEC, em Brasília, só o Sinasefe saiu com um acordo. No orçamento de 2006 foram reservados R$140 milhões para a categoria. Com isso, somando reajuste salarial mais Classe Especial, receberão uma reposição de 18% em janeiro. Mas essa conquista não está garantida para aposentados e pensionistas.

Na Fasubra, o papel da direção foi mortal para que a greve acabasse sem nenhuma perspectiva. E o pior é que, com isso, o setor saiu com menos recursos no orçamento de 2006 do que estava previsto. Já o Andes continua em greve, sofrendo ataques duríssimos do governo e da mídia. O MEC continua intransigente e anunciou que enviará um projeto de lei ao Congresso com a última proposta feita ao Andes. Detalhe: essa proposta foi rejeitada três vezes pelos docentes.

A luta dos servidores federais poderia ter um desfecho diferente, mas a luta unitária do setor – fator determinante para uma vitória – foi golpeada, não só pelos governistas, mas também por setores ligados ao P-SOL, que acreditavam ser possível avançar em conquistas com greves isoladas e por reivindicações setoriais. É preciso aprender com a experiência de 2005, pois 2006 será mais um ano de arrocho e ataques, impondo-se a necessária unificação das lutas para derrotar governo e patrões.

Construir uma nova direção
Em 2006, será fundamental a unificação de todos os servidores públicos para lutar contra o governo neoliberal de Lula e exigir o atendimento imediato das nossas reivindicações. Mas, para que possa ter de fato uma luta unificada, é preciso superar as direções governistas da CUT. Chega de fura-greve governista nas nossas entidades! Agora é hora de rompermos com a CUT e darmos passos concretos na construção de uma alternativa de luta para os servidores federais.Fora governistas da CUT! É preciso construir uma alternativa de luta para os servidores públicos.

A Conlutas, que nasceu das lutas contra a reforma da Previdência, Trabalhista e Sindical, vem se afirmando com um pólo aglutinador dos sindicatos e movimentos que estão lutando contra a política do governo e de seus satélites nos movimentos sociais. E, para que essa luta avance, precisamos construir uma nova organização nacional de caráter sindical e popular. Nesse sentido, convocamos os lutadores que garantiram essa greve a participar do Congresso Nacional de Trabalhadores (Conat) no ano que vem.

Post author Paulo Barela, da Direção Nacional do PSTU
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