Organizações divulgam números oficiais do Plebiscito Popular

A coordenação do Plebiscito Popular pela Anulação do Leilão da Vale divulgou os números oficiais da votação durante entrevista coletiva no último dia 8, em Brasília. Após um longo atraso, provocado pelas dificuldades de contabilizar e centralizar os votos de todas as regiões do país, finalmente as entidades fecharam os números da votação.

Maioria vota nas quatro questões
Ao todo, votaram cerca de 3 milhões 729 mil e 538 pessoas. Foram mais de 24 mil urnas espalhadas em 3.157 cidades. Do total de votantes, 94,5% disseram “não” à privatização da Vale do Rio Doce. Apesar do boicote da CUT, as outras três questões que colocavam em cheque a atual política econômica do governo foram respondidas pela grande maioria dos participantes do plebiscito.

Mais de 92% das 2 milhões 492 mil e 320 pessoas que votaram na questão sobre o pagamento dívida pública rechaçaram a política de priorizar o pagamento dos juros em detrimento dos investimentos. Dos 2 milhões, 536 mil e 136 votantes que responderam a questão sobre a energia elétrica, 93,7% se disseram contra o controle privado sobre o setor. Já a reforma da Previdência foi a questão mais respondida após a pergunta sobre a Vale. Votaram 2 milhões, 895 mil e 965 pessoas, sendo que 93,4% delas disseram “não” à reforma do governo Lula.

Na Bahia e no Sergipe houve ainda uma quinta pergunta, sobre a transposição do rio São Francisco. Dos 144 mil e 780 votos, 90% colocaram-se contrários à medida.

Derrota da CUT
Embora bastante expressiva, a votação foi bem inferior aos plebiscitos sobre a dívida externa e a Alca. Contribuiu para isso principalmente o boicote ativo realizado pela CUT. A central não participou da preparação da campanha e só se fez presente para minar as três perguntas que atacavam a política econômica do governo. E, mesmo rompendo com a restante da organização e fazendo o plebiscito com apenas uma pergunta, a CUT não empreendeu o mínimo esforço para realizar a atividade.
As quase três milhões de pessoas que disseram “não” à reforma da Previdência mostraram que, para defender o governo Lula, a CUT se isolou da luta do conjunto dos movimentos sociais e saiu derrotada. A central não foi capaz de calar os milhões de trabalhadores e estudantes que disseram “não” à reforma de Lula que retira direitos.

Vitória do movimento
Mesmo que pudesse ter sido bem maior, a votação fortalece os ativistas na luta contra o governo. A imprensa e o governo foram obrigados a responder a campanha. Nunca se viu tantas matérias em defesa da empresa privatizada, mostrando que a votação incomodou muito certos setores. Além disso, a questão sobre a Vale serve para armar o movimento contra a nova onda de privatizações que Lula começa a deflagrar.

Foi retomado também os temas da dívida pública e da energia elétrica, desconhecidas pela maioria dos ativistas. Após essa ampla atividade de conscientização, a marcha a Brasília será a primeira concretização da luta contra a política econômica neoliberal do governo.

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