Oposição metroviária de São Paulo tem grande resultado em eleição

Oposição comemora o importante resultato e seu fortalecimento
Celso Borba

Após uma semana de votação, entre os dias 10 e 14 de setembro, os metroviários de São Paulo, em eleição dividida, elegeram a chapa 1, da situação, para a gestão 2007/2010. A apuração ocorreu na quadra da própria entidade no bairro do Tatuapé (SP).

“Mas quem diria, mas quem diria, a chapa 1 ganhou com os votos da chefia”, gritaram em alto e bom som os militantes da Conlutas e da Intersindical, além de ativistas da categoria. Dos 6.061 metroviários com direito a voto, 4.653 participaram da eleição. Desses, a chapa 1, da CUT, dirigida pelo PCdoB, Articulação (PT) e PSB, obteve 2.211 votos, ou 53,38%.

A chapa 2, Oposição Metroviária, composta por militantes da Conlutas, Intersindical e independentes, obteve 1.931 votos, 46,52% dos votos válidos. Se levarmos em conta a votação geral, os votos nulos foram 419, ou 9%, brancos 92, ou 2%, somando 511 votos e totalizando 11%. Logo, na votação geral a chapa 1 teve 47,68%. Portanto, perdeu a maioria na base. Esse resultado mostra o descontentamento da categoria com a direção majoritária do sindicato.

Perguntamos a Altino de Melo Prazeres Júnior, operador de trem (OT) e militante do PSTU, candidato da oposição, qual a razão para os OTs votarem na Oposição. “Já faz algum tempo que os operadores romperam com a CSC (Corrente Sindical Classista). Existe muita desconfiança pelos acordos feitos nas campanhas salariais e em especial nesta última. Outro fator é a política de parceria da maioria da direção do sindicato com o Metrô. Aliás, é bom lembrar que onde o Wagner Gomes, o encabeçador da chapa 1, surgiu, nos operadores de trem, nós obtivemos 80% de votos, demonstrando que a base está com a oposição”.

Já para Alexandre Leme, também da oposição e militante do PSTU, “a vitória da chapa 1 se deu porque eles obtiveram uma votação expressiva na administração e na chefia das áreas operativas que fizeram campanha aberta contra a chapa da oposição”. Ficou evidente o desgaste da diretoria, já que quase 10% dos que votaram anularam o voto.

Na opinião de Celso Borba, da linha verde e integrante da chapa de oposição, faltou nos materiais da oposição uma clara vinculação da chapa 1 com o governo Lula e com a CUT chapa-branca do governo.

A palavra de ordem “ô chapa 1, preste atenção, cresceu a oposição” mostra que os militantes da esquerda saíram fortalecidos e obtiveram um grande resultado. O grupo Alternativo de Luta, ligado à Conlutas, que impulsionou a formação da chapa de oposição, se manterá organizado para levar o combate aos ataques que virão com a política de privatização de Serra e as reformas do governo Lula que retiram direitos.
Post author
Publication Date