Oposição disputa sindicato da Baixada Fluminense

Campanha da chapa cresce nos bancos a poucos dias das eleiçõesA traição feita pela Contraf/CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro), junto com a grande maioria das direções dos sindicatos de bancários em todo o país, capitaneadas pela Articulação Sindical, não está passando despercebida. O profundo desgaste sofrido pelas direções ligadas à CUT é o que transparece, por exemplo, nas eleições do Sindicato dos Bancários da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, que ocorrem nos dias 28, 29 e 30 de novembro. A entidade representa cerca de 2 mil trabalhadores dos municípios da região.

Duas chapas disputam a direção do sindicato para o próximo período. A chapa 1, da CUT, composta por sindicalistas do PT e PSB, e a chapa 2, da Oposição Bancária, apoiada pela Conlutas e formada por militantes do PSTU e independentes.

“A campanha da oposição enfoca o balanço das últimas campanhas salariais, especialmente a última, quando tivemos uma grande traição da Contraf/CUT, que bloqueou o crescimento da greve dos bancários para beneficiar os banqueiros”, afirma Jéferson Romano, diretor do sindicato pela oposição. O dirigente, inclusive, foi vítima do recente processo de perseguição aos diretores sindicais da oposição, quando teve cassada a sua liberação sindical.

A campanha da chapa da Conlutas cresce à medida que aprofunda-se o desgaste da CUT e da maioria da direção do sindicato, que conquistaram apenas 3,5% de reajuste salarial. Isso possibilita uma grande receptividade, principalmente nos bancos públicos. Mesmo nos bancos privados o impacto é maior que em outras regiões do país. Em Nova Iguaçu, maior município da Baixada, a oposição conta com grande apoio. “A chapa tem grande inserção em praticamente todos os bancos”, explica Jéferson.

Já a campanha da chapa cutista centra fogo na questão da unidade. Porém, a unidade que propaga é o atrelamento àquelas mesmas direções que bloquearam e traíram as últimas campanhas salariais da categoria. Além disso, faz propaganda do assistencialismo do sindicato e realiza eventos, como churrascos.

Como se isso não bastasse, por baixo dos panos a chapa da CUT realiza uma sórdida campanha baseada em falsas denúncias e ataques morais contra integrantes da oposição. Além de diversas irregularidades no processo eleitoral. Até duas semanas antes da eleição, a chapa 2 não havia tido acesso à lista de associados ao sindicato.

Como não poderia deixar de ser em se tratando de uma corrente ligada aos recentes escândalos de corrupção, com Berzoini e os “aloprados” à frente, a chapa da CUT vem se desmoralizando na base, abrindo um enorme espaço para o crescimento da Oposição Bancária e da Conlutas na categoria.
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