Operários da CSN em Congonhas (MG) derrotam o banco de horas

Após uma paralisação e ameaça de greve dos operários da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) na mina Casa de Pedra, em Congonhas (MG), a empresa recuou de sua proposta final e apresentou melhoras para o Acordo Coletivo de Trabalho da categoria. Ela reapresentou os mesmos índices econômicos anteriores.

Entre as propostas, estão 8,02% de reajuste salarial, R$ 100 de vale-supermercado por mês e um prêmio de natal de R$ 200 em dezembro. Também foram atendidas outras reivindicações, como o fim do banco de horas, ampliação da cobertura do plano de saúde dos dependentes e criação de uma comissão para coibir o assédio moral dentro das minas.

A mobilização da categoria foi muito vitoriosa, pois enfrentou os maus tratos praticados pela chefia e conseguiu fazer com que a CSN voltasse atrás de uma proposta final que já havia sido aceita por todos os outros sindicatos que representam trabalhadores da empresa. A mobilização também foi marcada pela criatividade.

Como a categoria sofre um grande assédio moral todos os dias, com supervisores e gerentes xingando e rebaixando trabalhadores para impor um ritmo acelerado de trabalho, o sindicato apelidou cada um desses chefes em seu boletim como um monstro diferente. A seção chamada “Monstros do Assédio Moral” fez grande sucesso e acabou por inibir os maus tratos e colocar os chefes contra a parede, além de virar brincadeira entre a peãozada.

Mas a vitória mais expressiva dessa mobilização foi o fim do banco de horas. A categoria sofria muito com as jornadas dobradas e outros excessos impostos pela patronal. O pagamento das horas também era sempre uma dificuldade, já que a empresa muitas vezes “escondia” as horas-extras ou forçava folgas.

A partir de agora, a empresa terá de pagar ou compensar dentro do mês e não mais poderá acumular 120 horas – ou até 200 horas – como vinha acontecendo. Isso tudo acontece no momento em que o Sindicato Metabase está engajado, junto à Conlutas e o movimento social combativo, numa campanha nacional pela redução da jornada e o fim do banco de horas.