Operários da construção pesada na Bahia cruzam os braços

Greve atinge 30 mil operários, de quase 300 obras em todo estadoOs operários da construção civil da Bahia realizaram, no dia 12 de abril, uma assembleia massiva no canteiro de obra do Estádio de futebol da Fonte Nova. Diante da intransigência da patronal, que se recusa atender as reivindicações dos trabalhadores, os operários decidiram entrar em greve geral. As principais obras de infraestrutura da Bahia estão paralisadas, entre elas a Arena Fonte Nova, a Via Expressa, a Via Bahia, o Polo Naval, as obras da Ferrovia Leste-Oeste, Metrô etc. São 30 mil operários, de quase 300 obras em todo estado da Bahia, que se encontra em greve.

As principais reivindicações dos trabalhadores da construção pesada da Bahia são: reajuste de 13%, 40 horas semanais, com trabalho de segunda a sexta-feira, saúde e Segurança do Trabalho, Plano de Saúde para empregados e dependentes, cesta básica de R$: 250,00, PLR, Ajuste da tabela salarial de funções e OLT- Organização nos Locais de Trabalho.

As grandes empreiteiras baianas seguem desrespeitando o Compromisso Nacional Para o Aperfeiçoamento das Condições de Trabalho na Indústria da Construção, um acordo anunciado no dia 1° de março de 2012, e que impõe alguns limites à super exploração dos trabalhadores da construção civil. Mesmo depois desse acordo, que ainda não foi colocado em prática na maioria das obras do país, a situação dos operários segue a mesma.

Só no ano de 2012, cerca de 150 mil operários da construção pesada cruzaram os braços exigindo melhores salários e condições de trabalho dignas. Nos estádios de futebol, que estão sendo preparados para a Copa, já somam 20 greves desde fevereiro de 2011. Nos primeiros quatro meses de 2012 foram cinco paralisações em distintos estádios do país. Em cada uma dessas obras os operários da construção estão lutando pelas mesmas coisas.

A disposição é de intensificar as lutas
Desde o dia 12 de abril, os trabalhadores vêm realizando assembleias e mobilizações no centro de Salvador. A disposição da categoria é seguir a luta até o atendimento das reivindicações.

Nós do PSTU apoiamos e nos solidarizamos com a greve dos operários da construção pesada e exigimos o cumprimento de todas as suas reivindicações. Estivemos na assembleia de deflagração da greve e continuamos acompanhando as mobilizações da categoria que sofre com a superexploração para que os governos cumpram os prazos da entrega dos estádios da Copa. Enquanto as construtoras cobram cada vez mais para construir os estádios, pagam uma miséria aos trabalhadores e impõem um ritmo infernal de trabalho.

Para ampliar as lutas e pressionar ainda mais a patronal é preciso que o SIMTEPAV, filiado à Força Sindical, busque unidade com os distintos setores sociais, principalmente com aqueles que nesse momento estão em greve, como os professores do estado.

Os operários da construção civil em todo o país estão mostrando o caminho para mudar a dura realidade nas grandes obras do PAC e da Copa do Mundo. Frente a isso devemos exigir imediatamente do Governo Dilma e das empreiteiras:

  • Efetivação desse acordo nacional em todas as obras;
  • Aumento geral dos Salários
  • Um piso nacional e o mesmo salário, no país inteiro, para os profissionais;
  • Cesta básica com valor igual em todo país;
  • Folga (baixada) de 5 dias a cada 60 dias trabalhados, com passagens aéreas pagas pelas empresas;
  • Plano de saúde com cobertura nacional para todos os nossos familiares;
  • Eleição de representantes sindicais de base em cada obra, com direito a estabilidade no emprego;
  • Saúde, Segurança, Condições de Trabalho, alojamento, transporte e refeição de qualidade;
  • Nenhuma demissão