ONU estende missão no Haiti

O Conselho de Segurança da ONU estendeu por 24 dias, o mandato da Missão da ONU para a Estabilização do Haiti (Minustah). Não houve consenso em relação à proposta do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, de manter a missão por mais um ano no país. No entanto, a proposta de Annan, que também prevê o aumento do número de militares, de 6.700 para 7.500, continuará sendo discutida nestes próximos dias.

A missão da ONU foi criada no dia 30 de abril de 2004, como uma força internacional dirigida pelo Brasil. Sob o discurso de estabilização, o governo Lula assumiu a ocupação do país, permitindo que as tropas norte-americanas pudessem ser deslocadas para outros alvos do imperialismo, como o Iraque e Afeganistão.

A simpatia conseguida inicialmente, a partir de alimentos e jogos da seleção brasileira, desmanchou-se rapidamente. As tropas são tratadas como invasoras e têm sido alvo de protestos. São inúmeras as acusações de abusos sexuais, inclusive admitidas em um relatório da ONU, e os ataques às liberdades civis. Nesta terça, soldados da Minustah detiveram por duas horas o repórter cinematográfico Jean Joseph Noneau, do canal Tele Haiti. O jornalista tinha acabado de gravar um depoimento de ex-militares haitianos e os soldados da ONU exigiram que o jornalista entregasse a fita. Jean Joseph enganou os soldados, entregando uma outra fita, e foi liberado.

A missão coordenada pelo Brasil não tem conseguido evitar a violência no país nem a ação de grupos armados. Só nos últimos sete meses, ao menos 620 pessoas morreram a tiros, a maioria na capital, segundo organizações de defesa dos direitos humanos.

Violência
No dia em que a ONU avaliou a missão, o país viveu cenas de guerra. Bandos armados atiraram contra pessoas em um mercado e o incendiaram, causando pânico na capital. Longe dali, o cônsul honorário francês Paul-Henri Mourral, de 50 anos, foi atingido enquanto viajava de carro. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu, horas depois, em um hospital.

A não-renovação do mandato da missão e o acirramento da violência fizeram com que familiares dos funcionários da embaixada dos Estados Unidos e o ‘pessoal não essencial’ deixassem o país ontem. Os norte-americanos são odiados no país, devido às intervenções anteriores e a superexploração da mão-de-obra do país, com maquiladoras.

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