O que existe por trás da ruptura de João Fontes com o P-SOL?

Deputado “radical” está ingressando no PDT para “viabilizar” disputas eleitoraisO deputado federal João Fontes, de Sergipe, foi um dos quatro parlamentares “radicais” expulsos do PT, que fundaram o P-SOL. Até o momento em que escrevíamos este artigo, no site do P-SOL o deputado seguia sendo mostrado como um dos baluartes do partido. No entanto, João Fontes está saindo do partido e indo para o PDT.

A direção do P-SOL não informa isso à sua base, não discute o tema e nem toma posição. O que será que estão escondendo?

Não se pode dizer que a saída do deputado seja apenas um boato.

Foram divulgadas algumas entrevistas com João Fontes que confirmam o fato. Em uma delas, dada à Agência Nordeste, em matéria de Eugênio Nascimento, se diz: “Fontes, que já fez a sua opção pelo PDT, afirmou ainda que somente se filiará ao partido quando ele se afastar do governador de Sergipe, João Alves Filho (PFL). ‘Quando isso acontecer, o partido passará a ter a minha cara e atuará de forma independente. Acredito que até a segunda semana depois do segundo turno as lideranças estaduais do PDT deixarão a agremiação’, disse”.

Assim, o deputado já optou por sair do P-SOL e ir para o PDT, e só aguarda que o grupo mais próximo do PFL deixe o partido em Sergipe para poder controlá-lo em seu estado, o que acontecerá, segundo ele, em “semanas”.

As diferenças entre o P-SOL e o PDT são apenas “táticas”?

O PDT é um partido burguês, dirigido por Brizola até a sua morte, e que hoje está se reconstruindo. Conta com setores de burguesia em nível regional, com grupos como este, ligado ao PFL em Sergipe, ou os que ganharam agora as eleições de Maceió (AL), Salvador (BA), São Luís (MA) e Campinas (SP). Conta também com pelegos, como Paulinho, em São Paulo, chefe da Força Sindical.

Não há nenhuma crise no fato de João Fontes passar do P-SOL para o PDT, assim como não existe nenhuma crítica da direção do P-SOL. É como se as diferenças entre os dois partidos fossem apenas táticas.

Isso só pode ser explicado por não haver um sentido de independência de classe no P-SOL. Ou seja, pelo mesmo motivo que levou esse partido a apoiar o PPS (outro partido burguês) em Maceió (AL), sem nenhuma reação de suas correntes fundamentais. Ou ainda, de ter apoiado o PTC (partido burguês que foi de Collor e Pitta) no primeiro turno, em Goiânia (GO), e agora ter apoiado o PMDB.

Post author Ernesto Guerra, de São Paulo (SP)
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