O que está por trás do escândalo no Hospital Evangélico de Curitiba

Pacientes do SUS tinham a morte facilitada para abrir vagas para pacientes de convênio privado

A prisão da médica responsável pela UTI do hospital revelou que a saúde é tratada como mercadoria nas instituições filantrópicas de saúde e que o lucro vale mais que a vida da população de baixa rendaO escândalo que veio à tona na última semana, após prisão da médica responsável pela Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Evangélico de Curitiba, deve servir de alerta para toda população trabalhadora que utiliza a saúde pública e precisa do Sistema Único de Saúde (SUS).

Para o PSTU, o dilema que este fato assustador revela é de que, infelizmente, em todo país, entra presidente sai presidente, entra prefeito sai prefeito, a saúde pública sede espaço à saúde privada. Os empresários que lucram com a saúde enriquecem ano a ano com dinheiro público, e isso ocorre porque a prioridade são os ricos em detrimento dos trabalhadores que precisam do sistema. O problema de fundo é para quem se governa, ou seja, para quem vai grande parte do orçamento público destinado à saúde.

Fatos noticiados pela imprensa local e nacional revelam que a médica Virginia Soares de Souza orientava e ordenava a facilitação da morte de pacientes em situação grave, internados na UTI, mantendo essa prática sem o conhecimento dos pacientes e familiares. Depoimentos de funcionários e ex-funcionários, que trabalharam sob a direção da médica, revelaram que pacientes de convênios privados eram priorizados na UTI do Hospital Evangélico, hospital filantrópico que historicamente estabelece parcerias com a prefeitura de Curitiba e governo do Estado do Paraná.

A verdadeira motivação dessa prática no hospital está sendo investigada pelo Núcleo de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (Nucrisa). A denúncia de que pacientes do SUS tinham a morte facilitada, por meio do desligamento dos equipamentos da unidade intensiva, para abrir vagas a pacientes de convênios privados, causou indignação em toda a cidade.

A prisão da médica responsável pela UTI do Hospital Evangélico revelou que a saúde é tratada como mercadoria nas instituições filantrópicas de saúde, e que os interesses privados e o lucro valem mais que a vida da população de baixa renda. É importante lembrar que os hospitais privados e filantrópicos não prestam serviços de graça, eles lucram muito com o dinheiro público do SUS.

A política dos governos federal, estadual e municipal vão na contramão de resolver esse problema. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), com dados de 2008, o Brasil investe 7,7% do PIB (Produto Interno Bruto) em saúde. O problema é que apenas 3,5% são investidos na saúde pública, enquanto 4,2% são destinados à saúde privada. Devido a essa política, o Brasil não investe o que é orientado pela OMS para oferecer saúde de qualidade, que deveria ser de 6% do PIB exclusivamente para a saúde pública.

Em Curitiba não é diferente. Em 2011, a prefeitura destinou 17,05% de seu orçamento, cerca de R$ 936.518.000,00, para a saúde. O problema é que quase 60% desse dinheiro foi para a saúde privada, ou seja, em Curitiba, mais da metade dos recursos públicos da saúde foram para as mão dos empresários do setor.

Exigimos que os governos federal, estadual e municipal tenham papel ativo em mudar essa situação, afinal, fazem parcerias com os empresários da saúde e, portanto, também são responsáveis pela qualidade e abrangência do serviço oferecido pelo SUS.

As privatizações e favorecimentos aos grandes empresários estão em marcha acelerada no país. Dilma privatizou os aeroportos, manteve a política de privatizar os Hospitais Universitários e agora quer privatizar os portos brasileiros. Ao mesmo tempo, o prefeito Gustavo Fruet (PDT), passados 50 dias de governo, não dá sinais de que irá romper com os empresários que se enriquecem através do dinheiro público.

As organizações políticas e sindicais precisam se unir e exigir uma política a favor dos trabalhadores:

  • Exigimos que o governo federal pare de dar dinheiro público para a saúde privada, para poder investir 6% do PIB exclusivamente na saúde pública.
  • Basta de dinheiro público para os empresários da saúde de Curitiba. Exigimos do prefeito a aplicação de 20% do orçamento municipal na saúde pública.
  • Retomar a gestão de todas unidades de saúde, hospitais e centros 24 horas para o município. Fim das parcerias público-privadas e terceirizações!
  • A saúde é um direito de todos e dever do Estado! Pelo acesso universal e com qualidade à saúde! Exigimos um sistema de saúde público, exclusivamente estatal! Pela aplicação dos princípios do SUS.
  • Exigimos punição ao Hospital Evangélico, à médica e aos demais envolvidos. Indenização às famílias das vítimas desse hospital.
  • Estatização do Hospital Evangélico sob controle dos trabalhadores.