O petróleo não é mais nosso

Nas propagandas da TV, o governo de Dilma Rousseff exibe a Petrobras como símbolo de orgulho e soberania nacional. Criada nos anos 1950 para impedir que o petróleo brasileiro caísse nas mãos das empresas estrangeiras, a empresa fazia jus a essa imagem. Mas isso foi naquela época. Hoje essa história hoje é bem diferente.
A campanha “o petróleo é nosso” foi um marco na história do país. Seu resultado foi a criação do monopólio estatal do petróleo, extraído com exclusividade pela Petrobras. No entanto, o petróleo do país já “não é mais nosso”. Não há mais monopólio estatatal, e o produto não é mais explorado com exclusividade pela velha estatal.

Hoje, uma significativa parte do nosso petróleo vai direto para as mãos das grandes petrolíferas estrangeiras, conhecidas como “Big Oil”, como a British Petroleum, Shell, ExxonMobil e Chevron. Nem mesmo a maioria das ações da Petrobras se encontra na mão do Estado brasileiro. Hoje somente 32,8% das ações estão nas mãos da União e mais de 50% estão negociadas na Bolsa de Nova York.

O governo continua mantendo o controle administrativo da empresa, mas todo o lucro produzido por ela é destinado para engordar os bolsos dos acionistas estrangeiros. Em 2010, foram distribuídos R$ 8,335 bilhões em dividendos a esses acionistas. O mesmo vai acontecer com os R$ 22 bilhões lucrados pela empresa no primeiro semestre deste ano, que registrou um aumento de 37% em relação ao mesmo período de 2010.

Fim do monopólio
O petróleo brasileiro começou a ser entregue às petroleiras estrangeiras a partir de 1997, quando o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso aprovou o fim do monopólio estatal. O modelo não só foi mantido pelo governo Lula, como todo seu caráter entreguista foi aprofundado.

No governo tucano foram criadas as chamadas “licitações de áreas de petróleo e gás”. Tratam-se de leilões das nossas reservas que são abocanhadas pelas petrolíferas estrangeiras. A Agência Nacional do Petróleo (ANP), criada pelo governo tucano, é quem promove os leilões do petróleo. Até hoje, os governos de FHC e de Lula realizaram, cada um, cinco destes leilões entreguistas. E Dilma pretende realizar uma nova licitação, a 11ª rodada de leilão, que poderá ocorrer no ano que vem.
Portanto, todo o patrimônio que foi construído com enorme esforço da imensa maioria do povo brasileiro hoje serve aos acionistas estrangeiros e as grandes petrolíferas.

O avanço do trabalho precário
A Petrobras é uma das maiores petrolíferas do mundo. O problema é que seu crescimento é obtido com a utilização do patrimônio nacional e nossas reservas petrolíferas, enquanto a maioria das ações fica nas mãos dos grandes especuladores internacionais.

A empresa chegou a ter 63 mil trabalhadores, em 1969. Com a política privatista de FHC, baixou para 39 mil em 1998. Hoje, tem por volta de 70 mil. Além disso, no ano passado, a empresa dizia ter 295 mil terceirizados. Com o pré-sal, estima-se que essa cifra ultrapasse um milhão. Tal processo leva à redução dos salários, benefícios e direitos. Assim como a um elevado número de acidentes, inclusive fatais. De 1995 até 2009, foram registradas 282 mortes de trabalhadores. Destes, 227 eram terceirizados.

Por outro lado, a produção cresceu como nunca. Em 1989, a média era de 701 mil barris diários. Hoje, é de 2,5 milhões. Ou seja, a precarização do trabalho na Petrobras serve apenas para engordar os bolsos dos acionistas estrangeiros.

Post author Clackson messias, de Aracaju (SE)
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