O “patriotismo” de Lula e a luta por uma segunda independência

Lula com atletas vencedores nas Olimpíadas
Marcelo Casal Jr. / Agência Brasil

O governo Lula está se aproveitando das comemorações de 7 de Setembro para estimular uma propaganda patriótica, essencialmente retórica, para “elevar a auto-estima dos brasileiros”.

A campanha tem como mote “O melhor do Brasil é o brasileiro” e foi pensada, como quase tudo neste governo, pelo marqueteiro Duda Mendonça. O governo usou os atletas que obtiveram um bom desempenho nas Olimpíadas para dar mais força à campanha. Também apresentou na TV, em parceria com a Associação Brasileira dos Anunciantes (uma associação empresarial), as histórias do jogador de futebol Ronaldo e do músico Herbert Vianna.

Para que serve essa campanha?

O objetivo da campanha é anestesiar a dor pela dureza da situação social, o verdadeiro motivo da queda da esperança e da auto-estima do povo brasileiro. Esperança que cresceu muito com a eleição de Lula. Esperança que depois caiu muito, muitíssimo, com a continuidade e o aprofundamento da política neoliberal levada a cabo pelo governo.

No fundo, essa campanha se assemelha ao estilo “Prá frente, Brasil” ou ainda, “Brasil, ame-o ou deixe-o” dos tempos da ditadura militar nos anos 70. Na época, essas campanhas se apoiavam nas vitórias da seleção brasileira de futebol e no crescimento econômico, para aplacar a frustração do povo com o arrocho salarial e a repressão.

O governo Lula pediu apoio às grandes empresas para sua propaganda “patriótica”, incluindo multinacionais como o Carrefour e a Telemar. Isso tem tanto a ver, na verdade, com as propagandas das grandes empresas multinacionais durante as Olimpíadas, como a Nestlé, que se apresentava como defensora do país, para tentar vender mais seus produtos na onda de apoio aos atletas brasileiros nas competições.

O “nacionalismo” de Lula tem um outro objetivo: esconder sua submissão completa ao imperialismo. Prova disso é que, ao mesmo tempo em que o governo lançava a campanha “nacionalista”, foi realizada em Brasília uma reunião entre Lula e Rodrigo Rato, diretor-gerente do FMI.

O FMI tem o poder de ditar a política econômica do governo, por isso, o diretor-gerente do Fundo veio fazer o balanço da atuação do governo, para ver se Lula foi um bom aluno do imperialismo, e para discutir os próximos passos do país. Isso já existia antes, com os governos de direita e seguiu com toda força com Lula.

O apoio do FMI ao “patriótico” Lula

Segundo a Folha de S.Paulo, Rato declarou que “A política monetária brasileira está adequada”, enfatizando a importância de seguir com reformas estruturais, como a aprovação de uma nova legislação trabalhista. Ou seja, o FMI aprova com louvor a atuação do governo e sinaliza a próxima grande batalha de Lula contra os trabalhadores: a reforma Trabalhista que propõe a retirada de direitos históricos, como as férias e o décimo-terceiro salário. É isso que Lula quer disfarçar com sua propaganda “patriótica”.

Em todo o mundo está crescendo um sentimento antiimperialista, contra os “donos do mundo”, por suas ações de guerra, pela imposição de sua política econômica ao resto do mundo. Em toda a América Latina existia uma enorme expectativa de que Lula estivesse na cabeça do enfrentamento com o governo Bush, pelo peso da economia brasileira. Ao contrário de tudo isso, Lula está querendo demonstrar que Bush é um “companheiro indispensável para o Brasil e a América do Sul”.

A campanha “nacionalista” de Lula tem o mesmo conteúdo da propaganda dos partidos burgueses de direita e do PT nas eleições, quando se mostram preocupados com os problemas sociais como a saúde e educação. Falam pela TV o que os marqueteiros concluem que o povo quer ouvir, prometendo solucionar todos os problemas, bastando que se vote neles. Depois das eleições, aplicam seu verdadeiro programa neoliberal, deixando a saúde e a educação cada vez piores.

O PSTU afirma, seja nas lutas diretas dos trabalhadores e jovens, seja em sua campanha eleitoral, que nenhum problema do povo brasileiro, seja ele, o arrocho salarial, a falta de emprego, a saúde e a educação, será resolvido caso o país não rompa com o imperialismo. Caso não rompamos com o FMI, não deixemos de pagar a dívida externa, não saiamos das negociações da Alca, não haverá nenhuma melhoria real no país.

Para que os brasileiros retomem sua auto-estima, é necessário conquistar a nossa segunda independência. E para isso, teremos de derrotar o governo Lula e suas mentiras rasteiras.
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