O P-SOL está com a palavra

O P-SOL é um novo partido que abriga várias rupturas petistas e desperta expectativas em setores da vanguarda. Como todos sabem, temos muitas diferenças com este partido. Nós achamos que, infelizmente, o P-SOL está seguindo o mesmo rumo do PT, como partido essencialmente eleitoral. O PSTU, por outro lado, é um partido revolucionário dedicado às lutas diretas dos trabalhadores.

Mas entre partidos diferentes também podem e devem existir acordos. Hoje estamos perante um destes momentos que exigem unidade. Em 2006 se completa o primeiro governo Lula, que promoveu uma fraude gigantesca (das expectativas de mudanças à continuidade do modelo econômico) e uma aguda crise política nacional.

A grande notícia é que pode ser que os trabalhadores não acumulem somente derrotas nessa experiência. Pode haver um ganho real, inestimável, em tudo isso: se uma parte importante dos que fizeram a experiência com o governo Lula construírem algo novo pela esquerda, o saldo deste processo terá sido altamente positivo.
Isto, hoje, é somente uma hipótese. Ao romper com as organizações em que acreditavam e não ver uma alternativa real, os trabalhadores e jovens podem acabar apostando em qualquer alternativa da direita, ou ainda passar a uma postura passiva.

Existe uma necessidade de apresentar uma alternativa forte e unitária de esquerda, que poderia se expressar nas lutas, na construção de uma alternativa à CUT e à UNE, e para as eleições de 2006.

É preciso uma alternativa à CUT e à UNE
Centenas de sindicatos já romperam ou estão rompendo com a CUT em todo o país. A Conlutas abarca cerca de 200 sindicatos e 100 oposições sindicais e promoveu as principais mobilizações nacionais contra o governo em 2004 e 2005 (os atos de 16 de junho de 2004 e do dia 17 de agosto em Brasília).

O P-SOL está dividido entre a CUT e a Conlutas. Uma de suas correntes, o Movimento Terra Trabalho Liberdade (MTL), está construindo a Conlutas, assim como setores do MES e da CST. No entanto, outras correntes do P-SOL defendem a CUT, contra a Conlutas. Este setor foi reforçado agora com a entrada dos parlamentares da Ação Popular Socialista. O P-SOL está então perante uma opção clara: uma hipótese é ficar com a CUT de Marinho, apoiadora do mensalão, e traidora de todas as greves. Outra é romper com a CUT e vir construir a Conlutas como uma alternativa para as lutas.

Sobre a UNE, a situação é ainda mais delicada. A entidade está engajada na defesa das políticas do governo, inclusive da reforma Universitária. Hoje a UNE, pelo seu desgaste, tem uma incidência muito pequena nas universidades públicas, o setor mais politizado e tradicional do movimento estudantil brasileiro. Ainda se preserva, pelo peso do aparato, nos setores mais desorganizados, como nas universidades particulares.

A Conlute (Coordenação de Lutas Estudantis) está se organizando também como uma alternativa à UNE. Mas praticamente todo o P-SOL se mantém na UNE. Uma de suas alas defende uma “UNE vermelha” que só existe em suas cabeças. Uma outra não defende nem isso, quer ser parte da UNE atual e ponto final.

Nós chamamos o P-SOL como um todo a vir conosco (junto com ativistas sem partido, militantes petistas e outros) a construir a Conlutas e a Conlutes para que se organize uma alternativa unitária de luta dos trabalhadores e estudantes.

Por uma Frente classista e Socialista nas eleições
As eleições de 2006 vão polarizar as atenções do país. Nós do PSTU lutamos para que a crise política atual não fosse desviada para as eleições, um terreno controlado pela burguesia, mas se resolvesse nas lutas diretas. No entanto, a ação tanto do governo como da oposição de direita está levando à canalização da crise para as urnas. Como não existe um grande ascenso de massas, e os trabalhadores não vêem uma outra perspectiva além das eleições, irão votar, ainda que muito desconfiados. Isso nos obriga a disputar a consciência dos milhões de trabalhadores também no terreno eleitoral, mesmo opinando que esse é um jogo de cartas marcadas.

Para evitar que surja apenas a polarização PT x PSDB-PFL, o PSTU fez uma proposta ao P-SOL, desde janeiro passado, de uma frente eleitoral classista e socialista, sem alianças com partidos patronais (como o PDT), sem dinheiro das empresas, com um programa anticapitalista e antiimperialista, contra o governo, a oposição de direita e contra a democracia dos ricos.

Mais uma vez o P-SOL está dividido sobre este tema. Depois de quase um ano, até hoje o partido não nos deu nenhuma resposta. Por trás da discussão sobre a frente com o PSTU, existe uma questão profunda: a que deve servir a candidatura de Heloísa Helena?

Essa candidatura poderia ser a expressão unitária de um processo de lutas dos trabalhadores e dos jovens, a partir das greves do funcionalismo, professores, bancários, metalúrgicos, das lutas populares de Recife e Florianópolis e outras contra o aumento das passagens de ônibus. Em todas estas mobilizações, existiram lideranças de esquerda contrárias ao governo. Poderia também ser a expressão das mobilizações políticas contra o governo e a oposição de direita ocorridas neste ano. Ou seja, a candidatura de Heloísa Helena poderia ser a expressão de todo o processo de lutas e recomposição à esquerda, dos setores que fizeram a experiência com o governo Lula e se mantém na busca de construir uma alternativa de esquerda, classista e socialista.

Mas pode ser também simplesmente uma proposta eleitoral, em busca do maior número possível de parlamentares, como é a prática do PT. Uma frente com o PSTU poderia sinalizar uma perspectiva “muito à esquerda” para várias correntes do P-SOL, que gostariam de nas próximas eleições conseguir uma frente com o PDT, setores do PSB etc. Toda a ala dos parlamentares que acabou de entrar no P-SOL, como Chico Alencar, Ivan Valente, e outros, pensa assim.

A definição de uma frente de esquerda, classista e socialista, possibilitaria unir a vanguarda, não só nas lutas e na Conlutas, mas também no terreno eleitoral. A concretização dessa frente precisaria avançar para a definição do programa, candidaturas, entre outras coisas. Isso possibilitaria lançar uma ofensiva sobre a vanguarda do país que fez a experiência com o PT e com Lula, defendendo uma terceira via. Com a palavra, os companheiros do P-SOL…

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