O minério tem que ser nosso

Diante de “boom” do setor mineral no Brasil e no Mundo, e de iniciativas do governo Federal para aprovar um “Novo Marco Regulatório da Mineração”, o PSTU junto com outros partidos de esquerda, sindicatos, movimentos sociais e ambientais lançam campanha eA Mineração está vivendo um verdadeiro “boom” no Brasil e no mundo. A demanda por minério de ferro vem crescendo significativamente desde 2003, baseada principalmente no crescimento econômico da China.

A produção global chegou ao patamar de 2,4 bilhões de toneladas, sendo a China o maior produtor mundial, com 600 milhões de toneladas/ano e também o maior consumidor, chegando sozinha a 1 bilhão de toneladas/ano.

O Brasil é o segundo produtor mundial de minério de ferro, produzindo 370 milhões de toneladas/ano¹. Os principais estados produtores são Minas Gerais (71%) e Pará (26%), que juntos respondem por 97% do minério de ferro do Brasil. O plano do governo e das empresas é triplicar a produção atual nos próximos 20 anos, chegando a 1 bilhão de toneladas até 2030!

Portanto, o que aconteceu nos últimos anos, foi que o Brasil passou a se especializar como um dos maiores exportadores mundiais de commmodities, principalmente ligados ao agronegócio e minério de ferro. Mais de 80% o de todo o minério brasileiro é exportado sem agregação de valor.

As consequências disso são desastrosas para o Brasil, pois o país se tornou completamente dependente da China e demais países importadores. Qualquer crise nestes países terá efeito imediato no Brasil.

Este papel dependente do mercado mundial está gerando vários problemas no Brasil: a “reprimarização” das exportações, em que a exportação de produtos industriais perde peso para os bens primários; um déficit na balança comercial, pois exportamos minério de ferro de baixo valor agregado (138 dólares a tonelada) e importamos produtos manufaturados mais caros; deixamos de gerar empregos no Brasil, pois a extração mineral gera menos empregos do que a siderurgia e outros setores industriais.
Post author Hermano Melo, de Belo Horizonte (MG)
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