No dia 25 de janeiro, completaram-se 34 anos da morte do trotskista argentino Nahuel Moreno. Em 1944, na Argentina, ele fundou a corrente política que depois seria conhecida como “morenismo” e, em 1982, a Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI), da qual foi seu máximo dirigente até sua morte. Nahuel Moreno continua presente na vida política de importantes setores da esquerda latino-americana e mundial.

Essa presença política atual foi construída em seus quase 50 anos de militância nacional e internacional. Atualmente, inúmeras organizações políticas da América Latina e da Europa se reivindicam “morenistas” e, ao mesmo tempo, outras organizações trotskistas e de esquerda definem seu perfil político criticando (e às vezes falsificando) suas posições.

Mais operários do que nunca

Este enfoque para interpretar o significado de Moreno e do morenismo se refere a um conselho que ele dava às organizações que orientava, especialmente em momentos de crise ou de dúvidas. Ele dizia que era necessário tentar ser “mais operários, marxistas e internacionalistas do que nunca”. Nessa frase curta, resumia uma verdadeira orientação para a construção dessas organizações.

Ser “mais operário” foi algo que começou a aplicar desde o início de sua militância, na década de 1940, quando rompeu com o “trotskismo boêmio de café” e transferiu o pequeno grupo de adolescentes que formavam o Grupo Operário Marxista (GOM) para a Villa Pobladora, na periferia de Buenos Aires, no coração operário e industrial da Argentina da época.

Ele afirmava que o trotskismo e seu programa deviam ser a expressão política da classe operária, especialmente dos seus setores mais concentrados e explorados. Dizia que essa era a única base de classe possível para que um partido operário revolucionário se construísse e pudesse avançar em sua estratégia.

Mais marxistas do que nunca

Em relação a ser “mais marxista”, referia-se, por um lado, à necessidade de estudar com profundidade, baseado nas ferramentas teóricas do marxismo, os novos fenômenos e processos que não se enquadravam nos velhos esquemas e, se necessário, corrigir essas ferramentas teóricas para que respondessem às novas realidades. Tratava-se de combinar as elaborações centrais do marxismo que continuam em plena vigência na atualidade (sem capitular às modas teóricas ou aos ceticismos impacientes) com um olhar sempre crítico e alerta sobre aquilo que não se verificou ou que já foi superado. Como Moreno disse em seu artigo “Ser trotskista hoje”, “ser trotskista é ser crítico, inclusive do próprio trotskismo”.

Uma batalha cada vez mais atual

Na década de 1950, as batalhas políticas de Moreno dentro do trotskismo eram essencialmente dirigidas contra a capitulação de setores da IV Internacional ao stalinismo e aos movimentos nacionalistas burgueses. Nas décadas de 1960 e 1970, foram contra a febre ultraesquerdista e guerrilheirista. No fim dos anos 1970 e início dos 1980, começou uma nova batalha que duraria muito mais tempo que as anteriores: a batalha contra o oportunismo e a capitulação à democracia burguesa e às frentes populares.

O problema se aprofundou muito mais, já que, num vendaval oportunista, a grande maioria da esquerda avançou em seu giro à direita e abandonou a perspectiva da tomada do poder e da revolução socialista como única alternativa real para mudar o mundo, substituindo-a pela estratégia de humanizar o capitalismo ou radicalizar a democracia. Acabaram se transformando no “braço esquerdo” do capitalismo, que está em completa bancarrota, e limitaram sua ação à resistência dentro do regime democrático-burguês.

Mais internacionalistas do que nunca

Como Trotsky, ele considerava que não podia haver militância ou organização trotskista nacional que não se desenvolvesse como parte da construção de uma organização internacional. A partir de 1948, ano em que participou como delegado no 2º Congresso da IV Internacional, foi fiel a esse princípio.

Durante longos períodos, esteve em minoria nessas organizações. Em 1979, começou a construir sua própria corrente internacional. Primeiro, foi com a Fração Bolchevique (FB). Depois, a partir de 1982, com a LIT-QI.

Ao mesmo tempo, apesar de a LIT-QI, na década de 1980, ter se transformado na corrente trotskista internacional de maior desenvolvimento e dinâmica, nunca caiu na tentação de a autoproclamar “a IV Internacional”. Pelo contrário, desde seus próprios estatutos, sempre colocou esse desenvolvimento a serviço da tarefa de reconstruir a IV Internacional como alternativa de direção revolucionária para as massas.

Podemos dizer que a LIT-QI é o legado objetivo de Moreno. Em tempos em que não está na moda construir partidos revolucionários nacionais segundo o modelo leninista e menos ainda uma internacional revolucionária, a LIT-QI busca se construir sobre o modelo da III e da IV Internacional. Assim como ele nos ensinou, o marxismo não é uma religião nem Moreno é um profeta que jamais errou. Pelo contrário, tomamos a profunda capacidade de autocrítica que o caracterizou durante toda a sua vida militante.

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