O impacto da destruição

Em outubro passado, a Nasa (Agência Espacial norte-americana) divulgou um estudo afirmando que 2005 registraria recordes de temperaturas, confirmando o fenômeno do aquecimento global. Reunidos com mais de 7 mil estações meteorológicas de todo o mundo, a Nasa ainda revelou outros sinais dramáticos sobre o efeito estufa: a redução da camada de gelo do mar Ártico e as altas temperaturas do oceano do Golfo do México, devastado por dois furacões. No litoral dos EUA, a temperatura da água foi a mais alta de todos os tempos, o que contribuiu para aumentar a intensidade de furacões como o Katrina e o Wilma.

No Brasil, a devastação ambiental atingiu níveis recordes. A destruição da Amazônia segue em marcha acelerada, e a floresta cada vez mais perde espaço para plantações de soja ou pastagens de gado. A seca que atingiu recentemente a região é mais um sintoma da devastação.

Fenômenos como esses mostram que o ano que está terminando foi, sem dúvida alguma, um marco dos efeitos das sistemáticas agressões que o capitalismo desferiu contra o meio ambiente. Destruição que segue a lógica depredatória do sistema e pode condenar a humanidade a um futuro sombrio.

Os maiores destruidores
O aquecimento global é provocado, principalmente, pelo aumento da emissão de gás carbônico na atmosfera, causado pela queima de petróleo, carvão mineral e gás. Os maiores emissores desses poluentes são as ricas nações imperialistas. Só os EUA são responsáveis por 25% dos gases que provocam o efeito estufa. Mas tudo indica que esse quadro pode piorar. Entre 1990 e 2003, de acordo com a ONU, a emissão de poluentes da maior economia do planeta cresceu 13,3%. Segundo cientistas norte-americanos, os EUA poderão emitir poluentes 30% a mais do que os índices medidos há 15 anos. Mesmo assim, o governo Bush se recusa a assinar qualquer tratado ambiental, por mais tímido que seja.

Além disso, a ação de empresas estrangeiras é decisiva na destruição ambiental. Companhias madeireiras e de mineração transnacionais e nacionais lucram imensamente com a devastação da Amazônia. No Pará, por exemplo, as madeireiras costumam pagar R$ 25 pelo metro cúbico de mogno, mas ela é exportada a um preço de R$ 9 mil, de acordo com um relatório do Greenpeace.

Como se não bastasse, o imperialismo, com auxílio de governos entreguistas como o de Lula, quer implementar acordos de livre comércio, como a Alca. Isso teria conseqüências catastróficas para o meio ambiente, uma vez que países pobres cuja produção está voltada à exportação de matérias primas, tornaria ainda mais intensa a exploração de recursos naturais para garantir, ao lado de baixos salários, a “competividade” dos empresários. A Alca também significaria a privatização dos recursos naturais, o enfraquecimento das leis ambientais nacionais, submetendo-as a leis e acordos que visam a mercantilização da biodiversidade.

Lutar contra a barbárie
O que está em fogo é o futuro da humanidade. Com a globalização neoliberal, o capitalismo está na fase mais destrutiva e regressiva. A crise ambiental, todavia, não pode ser resolvida senão pela superação completa do regime de exploração. O sistema não pode superar a crise que desatou, pois isso significaria pôr limites à acumulação capitalista.

Por isso, não é possível pensar em desenvolvimento sustentável sob o capitalismo. Só a sua derrota definitiva permitirá enfrentar a grave crise ambiental. Como lembrou Marx, a luta ecológica deve ser a mesma luta dos trabalhadores contra a exploração capitalista: “A produção capitalista só desenvolve a técnica e a combinação do processo de produção social ao mesmo tempo em que esgota as duas fontes de onde brota toda a riqueza: a terra e o trabalhador” (O Capital).
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