O capitalismo e o futuro da ciência

Descobertas da ciência e da técnica não são usados a serviço dos homens e do planetaO avanço nas pesquisas mostra o esforço da humanidade para tentar compreender a complexidade da natureza. “Temos uma oportunidade inédita para pensar na origem da vida, e ver como um genoma realmente funciona,” escreveu sobre a “célula sintética” na revista Nature o professor de filosofia Mark Bedau. Os resultados também têm forte impacto sobre todo besteirol obscurantista defendido pelos “criacionistas”, fanáticos que tentam colocar em pé de igualdade ciência e religião, apresentando uma explicação religiosa para o surgimento da vida no planeta.

Os profissionais envolvidos na pesquisa com o DNA garantem que os resultados podem ser muito úteis. Podem, por exemplo, promover um salto na medicina e na produção de vacinas. Ou mesmo ajudar no combate ao aquecimento do planeta, criando uma bactéria que possa capturar o gás carbônico, um dos principais responsáveis pelo efeito estufa e o aumento da temperatura do planeta.

O que esperar desses imensos avanços que se dão sob o domínio capitalista? Como serão usadas as tecnologias desenvolvidas? Muitos já se mostram preocupados com o uso militar das células em laboratório. De fato, há o risco das bactérias serem usadas para as mais poderosas armas biológicas. Os países imperialistas, que gastam bilhões com armas, têm dinheiro para desenvolver esse tipo de pesquisa.
Da mesma forma, também existe a preocupação de que as descobertas a partir do colisor de partículas, o LHC, sejam usadas com objetivos militares.

A serviço de quem?
No passado, o capitalismo comprovou o que pode fazer com grandes descobertas da ciência. Basta lembrar que a teoria da relatividade geral de Albert Einstein, um pacifista, serviu mais tarde como base para desenvolver as bombas atômicas que arrasaram as cidades de Hiroshima e Nagasaki, ao final da Segunda Guerra.

Pode-se argumentar que o capitalismo gerou um grande desenvolvimento científico. Mas os maiores desenvolvimentos tecnológicos do último século vieram como subproduto da disputa contra a URSS, cujos resultados vão do desenvolvimento da bomba atômica até o perverso sistema Guerra nas Estrelas, que levaria armas nucleares no espaço. Ou seja, sob o capitalismo, a ciência sempre esteve voltada para desenvolver as forças destrutivas da humanidade.

A própria produção do conhecimento é contaminada pela expectativa de lucros e está a serviço da exploração. Um exemplo pode ser encontrado dentro das fábricas. As inovações tecnológicas dos últimos anos (microeletrônica,robotização, computação) não resultaram em melhoria das condições de vida da classe trabalhadora ou na diminuição do tempo de trabalho. Toda a conversa de mais tempo livre não se concretizou. Ao contrário, temos mais lucros aos capitalistas, enquanto os trabalhadores continuam trabalhando mais, inclusive no tempo livre. Sob o capitalismo, mais avanço tecnológico representou mais desemprego e aumento do ritmo de trabalho.

Livre das amarras
O socialismo livraria a ciência desta camisa de força. Os avanços científicos não seriam resultado do desenvolvimento das forças destrutivas, mas voltados ao bem-estar da humanidade.

Os trilhões de dólares gastos pelo imperialismo em pesquisa militar poderiam ser usados em pesquisas científicas livres das pressões e amarras, oferecendo mais liberdade aos pesquisadores. Que avanços teríamos hoje caso os bilhões gastos no Projeto Manhattan (que deu origem a bomba atômica) fossem destinados exclusivamente a pesquisas científicas voltadas para os interesses da humanidade?

O mais importante equipamento científico da civilização, o LHC, custou cerca de 9 bilhões de dólares. À primeira vista, parece muito. Mas a quantia é pouco mais de 1% do que os Estados Unidos gastam com armas, aviões e soldados. O presidente Obama não rompeu com essa lógica e deve gastar 660 bilhões de dólares em gastos militares em 2010.

É importante destacar que o LHC só conseguiu sair do papel porque foi construído em um consorcio mundial, que inclui EUA, União Europeia e Japão, entre muitos outros países.

O capitalismo impulsiona o progresso cientifico apenas para garantir o privilégio de punhado de burgueses. Mas o sistema também é o maior freio que existe ao desenvolvimento cientifico na atualidade. Sob o capitalismo, não é possível desenvolver um amplo conhecimento científico livre de amarras e pressões políticas, econômicas e militares. O fim do sistema é questão de vida ou morte para o futuro da ciência e da humanidade.

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