O Brasil real é um país que luta

Existe um Brasil que aparece aos olhos do mundo… E outro que é escondido. Não estamos falando da atual presença permanente da seleção brasileira na mídia. Isso vai durar até o início de julho.

Estamos falando do que veio antes e virá depois. Falamos da farsa do “Brasil do presente e do futuro” apresentada pelo governo, pela CUT e a UNE, de um país em que tudo vai bem. Falamos da farsa da oposição de direita, mostrando como em São Paulo tudo vai bem porque é dirigido pelo PSDB.

O faz de conta eleitoral do PT e do PSDB vai ignorar a realidade do povo brasileiro. Nessa edição do Opinião, mostramos o Brasil real. Falamos de trabalhadores que, em pleno século XXI, têm de ir a pé para o trabalho, por não ter dinheiro para pagar as passagens. Discutimos a situação do transporte, sob o ângulo dos que usam os ônibus e trens nesse país.

Poderíamos ter falado de outros temas, como das crianças que ainda morrem de fome, das milhares de pessoas que moram nas ruas das grandes cidades.

A realidade é o arrocho salarial que segue presente na vida dos trabalhadores. Dos juros altíssimos do cheque especial e do dinheiro que falta no fim do mês. O Brasil dos bairros populares, abandonados pelos governos e atacados duplamente, pela polícia e pelos bandidos.

O Brasil real não aparece na Rede Globo, nem vai aparecer nos programas eleitorais do PT e do PSDB. É o das greves do funcionalismo federal contra o governo do PT, dos funcionários da USP contra o governo do PSDB. É a greve dos motoristas de Fortaleza contra a patronal e contra a prefeitura do PT. É o movimento popular com ocupações de terrenos como as do MTST.

O Brasil real é um país que luta. Existem muitas lutas diretas dos trabalhadores nos dias de hoje, ignoradas pela mídia. Esse país precisa ter voz e vez.

O Conclat realizado em Santos tinha esse objetivo. A idéia era construir uma alternativa unitária para as lutas do movimento sindical, popular e estudantil, que agrupasse todos os que querem superar o peleguismo da CUT e Força Sindical. Um congresso importantíssimo, que reuniu 3180 delegados eleitos pela base. Infelizmente, um setor minoritário – a Intersindical e outros grupos menores – rompeu com o congresso simplesmente por isso, por ser minoria, por não aceitar que a base decida. Cometeram um erro gravíssimo, que enfraquece a necessidade da luta conjunta dos trabalhadores.

Mas a realidade depois do congresso já comprova que a central fundada em Santos começa a se mover ao lado e à frente dessas lutas. Os que romperam devem repensar o que fizeram, aceitar que a base decida, e voltar a se incorporar à central e às lutas diretas dos trabalhadores.

Esse país que luta também deve ter uma expressão nas eleições. A candidatura Zé Maria à Presidência estará aberta a todos os que se mobilizam. Os grevistas poderão usar o tempo de TV do PSTU para divulgar suas reivindicações. Essa é a tradição dos socialistas, como expressão do proletariado em movimento. O socialismo estará presente nas eleições, para dar voz e vez ao Brasil dos trabalhadores que lutam.
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